(Elysium, EUA, 2013)

Ficção Científica
Direção: Neill Blomkamp
Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Alice Braga, Diego Luna, Wagner Moura, William Fichtner, Emma Tremblay, Maxwell Perry Cotton
Roteiro: Neill Blomkamp
Duração: 109 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Antes menos de começar, Elysium já tem que suportar um peso muito maior do que outros títulos. Ser o novo filme de Neill Blomkamp, o sul-africano que surpreendeu em sua estreia com a excelente ficção científica e crítica social Distrito 9, é bastante problemático. As altas expectativas de antes e comparações de durante são inevitáveis.

Mas Blomkamp prova que sabe o que está fazendo. Elysium não chega a ser um Distrito 9, mas é uma ficção científica competente, bem construída, cheia de pequenas boas surpresas e envolve. A preocupação do diretor com a composição do clima, um visual impressionante, efeitos especiais de primeira linha e ótimas atuações se destacam no resultado final.

Ano de 2154. Com recursos naturais escassos e um completo abandono social, os habitantes da Terra sobrevivem como podem. Faltam serviços públicos básicos, não há saneamento, segurança e o acesso à saúde é completamente ineficiente. Por outro lado, aqueles que têm dinheiro já partiram há algum tempo e moram hoje em Elysium, uma espécie de base espacial satélite do mundo.

Enquanto depende dos recursos naturais do planeta, incluindo o trabalho braçal dos habitantes esquecidos para trás, a classe dominante vive em um mundo de perfeição absoluta, sem violência e com soluções médicas mágicas. De longe e alheio ao problema social criado, esse seleto grupo aproveita a vida em sua bolha de irrealidade.

Nada muito diferente do que existe hoje em dia. A relação entre o mundo atual, real, e aquele criado nas telas é um dos grandes diferenciais do diretor sul-africano. Elysium é o sonho de consumo de toda uma classe social que espera por uma base espacial anos-luz da Terra e por um nível de desenvolvimento tecnológico que realmente possa substituir humanos e mandar para longe dela toda a pobreza e necessidade do mundo.

A composição da Terra desolada, uma grande favela tumultuada, não só impressiona visualmente como comprova essa correspondência com o que estamos cansados de ver nos dias de hoje. O texto que acompanha as imagens, com menções inclusive à providência divina, completa a sensação de similaridade.

O que se vê de futurístico no filme é comum a outros títulos do gênero e as referências a alguns deles são claras. O pessimismo, a dicotomia entre classe dominante e resistência, algum envolvimento emocional entre os personagens, um grupo asséptico física e socialmente, um líder frio e uma situação extrema. O diferencial está em como Blomkamp resolve trabalhar com tudo que tem nas mãos, priorizando a mensagem.

Momentos de muita tensão são fundamentais para o ritmo do filme e são realçados pelas atuações, principalmente pela presença de Sharlto Copley, que interpreta um mercenário infiltrado para resolver os problemas de Elysium na Terra. A interpretação do sul-africano, que poderia parecer exagerada, é surpreendente.

O exagero também aparece em um primeiro momento na atuação do ator brasileiro Wagner Moura. Em seu primeiro grande título internacional, o baiano precisa de um tempo, curto, é verdade, para se adequar a seu Spider, o líder revolucionário, mas também entrega um trabalho impressionante.

As participações de Matt Damon, Alice Braga, Diego Luna e Jodie Foster – ótima como uma asquerosa secretária de defesa – são corretas e bem equilibradas. Até William Fichtner tem seus momentos. Além do bom elenco, o roteiro sabe como mesclar realidades e trabalha bem os pontos de virada, ainda que vez ou outra escorregue em flashbacks mais manipuladores do que necessários e não resista ao melodrama.

Os efeitos especiais são um espetáculo à parte. Bem distribuídos, surpreendem quem assiste ao filme. Que o digam as cenas da explosão do ciborgue ou da reconstituição facial. Junto com eles está o som, igualmente bem estudado e fundamental para a construção da trama.

Ainda que apele para o mais fácil, mas com muito mais acertos do que erros, Elysium chega para mostrar que Blomkamp realmente sabe o que está fazendo, seja na composição de quadros, na direção de atores, no uso de efeitos especiais e na construção da ação. Sempre priorizando histórias que vão muito além daquilo que está sendo contado.

Um Grande Momento:
O oficial de condicional.

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