(Elles, FRA/POL/ALE, 2011)

Drama
Direção: Malgorzata Szumowska
Elenco: Juliette Binoche, Anais Demoustier, Joanna Kulig, Louis-Do de Lencquesaing, Alain Libolt
Roteiro: Tine Byrckel, Malgorzata Szumowska
Duração: 100 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Juliete Binoche é Anne, uma jornalista bem sucedida que escreve para a revista Elle. No momento, produz um artigo sobre duas jovens, Lola (Anaïs Demoustier) e Alicja (Joanna Kulig), que bancam os estudos na universidade se prostituindo com homens que bem poderiam ser como o marido de Anne. À medida que relembra a entrevista com as garotas, administra a vida de mãe e dona de casa.

As mentiras que as meninas vivem equivalem à vida vazia que Anne leva. Os casos com seus clientes tem muito de uma vida normal, mas rica em sexo e prazer, o que parece ser raro na vida da jornalista. Não à toa Anne se vê envolvida com as histórias e passar a refletir sobre suaprópria vida: as mentiras veladas, o sexo ocasional, o prazer raro.

O filme muitas vezes assume sua veia de documentário, com o jogo de perguntas e respostas – “Como foi a primeira vez?” ou “Você faz pelo dinheiro?” – e olho direto na câmera. É entrecortado por trechos de conversas, pelo cotidiano da vida de Anne e reconstituições dos momentos narrados pelas garotas. Isso tudo gera uma linha narrativa confusa, proposital numa comparação à vida da protagonista, mas difícil de acompanhar e eis aí o maior defeito do filme.

Grande ponto a favor do filme são as atuações de Juliete Binoche, Anaïs Demoustier e Joanna Kulig. Binoche está memorável, ora presa no seu mundo, ora liberta na companhia das meninas. Demoustier consegue balancear o seu rosto angelical com cenas tórridas com muita naturalidade. Já Kulig é exuberante e não passa despercebida em suas cenas. Um grande acerto da diretora foi deixá-las à vontade em seus papéis.

Um fato interessante é a naturalidade com que as meninas narram suas histórias e também como Anne as recebe, sem julgamento algum. A intenção de Szumowska e também da produtora Marianne Slot, que deu a ideia original, parece ser uma bandeira pela liberação feminina, algo como “com meu corpo eu faço o que quero”. Em entrevistas com
prostitutas reais Szumowska descobriu, por exemplo, que uma delas não fazia isso apenas pelas necessidades financeiras, também fazia por prazer e por uma vida mais agradável.

O filme, corajoso e complexo, é unicamente baseado em opiniões femininas (mas não diria feminista) e possivelmente será recebido de formas bem diferentes por homens e mulheres. Mas o importante no filme é a liberdade de se fazer o que quer e entender como as prostitutas se relacionam com isso, o que pode chocar algumas pessoas muitos mais do que as cenas de sexo – que não são poucas, mas estão longe de ser a o ponto focal da obra.

Um Grande Momento

O jantar.

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