(Elle, FRA/ALE/BEL, 2016)
Suspense
Direção: Paul Verhoeven
Elenco: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Anne Consigny, Charles Berling, Virginie Efira, Judith Magre, Christian Berkel
Roteiro: Philippe Djian (romance), David Birke
Duração: 130 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Várias foram as tentativas de retratar a psicopatia no cinema. Com raras exceções, a maioria das histórias tem como foco a ação do sujeito e não o sujeito em si. Os atos e suas consequências individuais e sociais ganham destaque frente às câmeras. Não é o caso de Elle, novo filme de Paul Verhoven.

O diretor holandês, mais conhecido por seus filmes americanos – não necessariamente os melhores de sua filmografia – Showgirls e Tropas Estelares, em uma parceria que deu muito certo com a atriz francesa Isabelle Huppert (A Professora de Piano), vai buscar o que existe no interior de alguém com a estrutura perversa.

Elle é uma adaptação do romance “Oh”, de Philippe Djian, premiado escritor francês que já fora adaptado para o cinema com títulos como Betty Blue, Inpardonnables e O Amor É um Crime Perfeito. Michèle Leblanc é a dona de uma companhia de produção de jogos de videogame que sofre um ataque dentro de sua própria casa. A vida da personagem é explorada em todos os aspectos, seja na vida profissional ou pessoal. Acompanha-se Michèle nos testes de um novo jogo, em sua solidão no fim do dia, na relação tumultuada com o filho infantilizado, nos encontros com amigos e nas visitas à mãe.

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Verhoven preocupa-se com o humor e a tensão, enquanto Huppert é a responsável pela concretização da frieza de sua personagem. Sem remorsos e colecionando ações hedonistas, completamente isentas de preocupações e culpas, Michèle vai vivendo a vida e vê-se uma personagem marcante ganhar vida.

É chocante ver o modo como ela dá a notícia da violência sofrida ao ex-marido e ao casal de amigos, como ela se envolve com alguém que não deveria e como se relaciona com o passado sombrio que a persegue. A frieza de Michéle para situações absurdas, que vão desde estacionar o carro até a reação ao abuso sofrido, é algo que está muito além da compreensão.

Com uma trama muito bem amarrada, o passado desconhecido da protagonista vai se revelando aos poucos. Pistas deixadas pelo caminho, principalmente no que diz respeito ao pai da personagem, definem a gravidade do evento traumático, até que se conheça tudo o que aconteceu. Inteligentemente, o diretor não faz questão de determinar nada. Enquanto alguns saem da sala de cinema com uma explicação para aquela pessoa, outros saem com outra completamente diferente. Vítima ou culpada? Cada um enxerga os fatos que mais interessam para responder a esta pergunta.

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Assim, mesmo após os créditos finais, o acendimento das luzes da sala e o caminho de volta para casa, Michèle permanece com quem assistiu ao filme. Em sua personalidade carismática e ao mesmo tempo fria, vai tentando ser compreendida pelos que acompanham à distância seus atos.

E só mesmo com uma compreensão daquela personagem é possível compreender que o que se vê, por mais que se mostre agressivo à primeira vista, faz todo o sentindo naquele contexto em que ocorre.

Elle é um senhor trabalho de construção de realidade e estudo de personalidade. Daqueles que sempre vale a pena conhecer.

Um Grande Momento:
O neto.

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