(Eles Vieram e Roubaram sua Alma, BRA, 2016)
Drama
Direção: Daniel de Bem
Elenco: Filipe Rossato, Hiozer da Silva, Renato Paredes, Fernanda Feltes, Michele Dallas, Cris Eifler, Daniel de Bem
Roteiro: Daniel de Bem, Daiane Marcon
Duração: 76 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Embora seja um pouco perdido em seu andamento e não saiba muito bem o que tem a dizer, o longa-metragem gaúcho Eles Vieram e Roubaram sua Alma faz um jogo metalinguístico de influências e influenciados – em três camadas distintas – que acaba conquistando quem assiste ao filme.

A história contada é a de Mateus, que está há anos tentando finalizar um filme. Gravando imagens aleatórias, ele não tem a menor noção do que quer contar, mas insiste na produção, provocando problemas em todos que estão com ele no projeto. O personagem é criado de uma maneira muito negativa e antipática, como se o grande objetivo fosse mantê-lo longe do público. Temos então uma pessoa com quem ninguém tem paciência, nem dentro e nem fora da tela, e que abandonou os únicos que talvez teriam, sua família.

Por outro lado, o personagem principal do filme de Mateus é uma figura que consegue cativar simplesmente porque está ali. Não há muito esforço, basta olhar para ele, ver como leva a vida e como ele reage ao seu diretor, para que o vínculo seja criado. Há uma disparidade gigantesca entre os dois protagonistas de filmes distintos dentro de um mesmo filme.

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Indo além da tela, e levando em consideração a posição marcada – intencional ou não – do diretor Daniel de Bem em construir esse ambiente de amor extremo à obra e uma visão muito pessimista do realizador ficcional, o que se vê é uma terceira instância que, autobiograficamente, vê-se sempre influenciada por aquilo que tenta retratar.

Então, o que se tem é um jogo entre o interno, o externo e o superior, onde todos eles se manipulam livremente. O filme que não se realiza porque o diretor ficcional se autossabota ou porque o ator não tem mais saco para fazer aquilo; o ator que determina o curso de algo e o diretor que não pode fazer nada a não ser aceitar; a obra ficcional que suga e determina a vida, e a vida que não se interessa mais pela obra. Tudo visto de cima pelo diretor, que traz a vida para a tela e também está inseguro em mostrar aquilo tudo, mas se arrisca.

E consegue um bom resultado. Obviamente, Eles Vieram e Levaram sua Alma, que levou vários anos para ser realizado, poderia ser um pouco mais preciso em alguns pontos e ter se dedicado a uma edição mais meticulosa, que prezasse a montagem equilibrada para um ritmo mais amigável. Porém, ainda assim, consegue convencer com isso tudo que propõe.

Um Grande Momento:
O ultimato do produtor.

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