(Er ist wieder da, ALE, 2015)
Comédia
Direção: David Wnendt
Elenco: Oliver Masucci, Fabian Busch, Christoph Maria Herbst, Katja Riemann, Christoph Zrenner, Franziska Wulf
Roteiro: Timur Vermes (romance), David Wnendt, Mizzi Meyer, Marco Kreuzpaintner, Johannes Boss, Collin McMahon
Duração: 116 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Os primeiros minutos de Ele Está de Volta podem ser um pouco desanimadores. Alguém que tenta se passar por Hitler, falando sobre não ser saudado, em um cenário pouco convincente e uma filmagem de má qualidade não costumam mesmo atrair alguém. Mas vale a pena superar esses momentos.

O filme alemão, baseado no bestseller homônimo de Timur Vermes, conta a história do retorno de Hitler aos dias atuais e é uma crítica precisa temperada com humor irônico. Como uma boa comédia crítica, é obviamente bem-humorada, mas crava a unha na ferida e escancara uma realidade que a população alemã tenta esconder a todo custo.

Hitler acorda em seu antigo bunker e, 70 anos depois, encontra uma Alemanha completamente diferente daquela que tinha imaginado. Confundido com algum ator que tenta se passar pelo fürher, HItler é levado a um canal de televisão por um jornalista freelancer que não pode perder a vaga na emissora.

Misturando imagens ficcionais a depoimentos reais de habitantes de vários locais da Alemanha, o longa-metragem envolve o espectador. A ficção, em um primeiro momento, funciona como um suporte e acaba sendo ofuscada pela demonstração da realidade. Principalmente quando explicita que uma figura pode legitimar os desejos mais reprováveis de uma população.

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As demonstrações de apoio, divididas entre momentos de diversão e momentos de puro e claro preconceito, estão em muito maior número do que as reprovações à presença daquele que foi o responsável por um dos maiores crimes contra a humanidade. Aquele que não pode dar o prenome às novas crianças alemãs, que legalmente não pode ser saudado como líder e que tem um legado que o país inteiro tenta há anos superar, na realidade não causa nas pessoas a estranheza que deveria causar.

Completando os depoimentos e aproveitando-se deles, é claro, a ficção começa a ganhar espaço a partir da segunda parte do filme. Construindo sua história, traz à tona novas tecnologias. Os YouTubers destacam-se como propagadores de notícia, os novos formadores de opinião, e realizam um papel que nem Goebbels teria conseguido imaginar. E tudo é muito natural, tudo é muito aceitável. Ele tem carisma, ele diz as coisas certas na hora certa, ele quer melhorar a vida de todos, ele pode melhorar a vida de todos.

Com problemas estéticos e meio perdido em meio a muitas ideias, Ele Está de Volta é uma crítica duríssima, ainda apimentada pelos roteiristas com um toque de crueldade. Tudo que aquele homem fez com outros seres humanos pode ser relevado, mas algo no filme o transforma em um monstro. E esse é o sintoma da total falta de humanidade.

É terrível. E não são só os que estão na tela que sentem aquilo. O sentimento vem se tornando cada vez mais natural. De uma vez por todas, os humanos não deram muito certo mesmo.

Um Grande Momento:
Pinturas na praça.

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