(El gato desaparece, ARG, 2011)

Suspense
Direção: Carlos Sorin
Elenco: Luis Luque, Beatriz Spelzini, Maria Abadi, Norma Argentina, Damián Guitián, Alfredo Martín, Matías Tapia, Carlos Sorin
Roteiro: Carlos Sorin
Duração: 90 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Depois de um surto psicótico, Luis, um professor universitário, é internado em uma clínica por três anos. El gato desaparece, do diretor argentino Carlos Sorin (Histórias Mínimas), conta a história do regresso desse homem para casa e para a sua mulher, Beatriz.

Ela não sabe como lidar com ele, que tenta a todo custo demonstrar que está curado e consegue viver a vida normalmente. Enquanto ela espera o momento de um novo surto, ele só quer que o passado fique para trás. A incompatibilidade dos sentimentos é o ponto alto do filme.

Trabalhando bem a princípio, com o conflito que invade o cotidiano do casal, o filme consegue despertar a curiosidade do espectador, principalmente por optar pela revelação gradativa do que poderia ter sido a motivação do ataque de nervos de um homem que parece ser pacato e bem resolvido.

Sorin trabalha bem com o suspense, criando cenas interessantes em parceria com o diretor de fotografia Julián Apezteguia (O Clã), com jogos de luz e sombra, e faz um bom uso da trilha sonora marcada assinada por seu filho Nicolás Sorin (O Cachorro), além de se aproveitar bem da figura do gato preto que dá nome ao filme.

O único problema está no ritmo arrastado, que faz com que a premissa curiosa vá, aos poucos, tornando-se desinteressante e cansativa, como se esperássemos tempo demais pelo desenrolar dos fatos, repetindo situações na tentativa de criar um clima que seria melhor atingido se houvesse mais objetividade.

Nem mesmo as boas atuações do casal central são suficientes para manter a conexão com o público. Enquanto Beatriz Spelzini (O Dia em Que eu Não Nasci) constrói sua personagem oscilando entre o medo e a culpa, Luis Luque (Juntos para Sempre) alterna momentos de humor instável e apatia, como se vivesse em um constante estado de bipolaridade. Ambos o fazem com muita competência.

Para complicar mais a situação, Carlos Sorín conclui o filme de maneira gratuita e, pior, não acredita na capacidade cognitiva de seu público. Mesmo tendo inventando algo tão marcante para determinar o desfecho, derrapa na obviedade e acaba mostrando muito mais do que precisava.

Um Grande Momento:
Barulho no teto.

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