Começa nesta semana, em São Paulo e no Rio de Janeiro, mais uma edição do maior festival de documentários da América do Sul, o É Tudo Verdade. Em seu 17º ano de realização, o festival idealizado e dirigido por Amir Labaki chega com justas homenagens e uma seleção eclética, que promete atrair ainda mais os olhos do público para o cinema verdade.

Seguindo uma tendência, os filmes de abertura escolhidos para as duas cidades são documentários musicais, subgênero que mais leva brasileiros às salas de cinema no dia-a-dia. Tropicália, de Marcelo Machado, sobre o movimento musical de Caetano Veloso e Gilberto Gil, abre o festival em São Paulo. No Rio de Janeiro, quem faz as honras é Jorge Mautner – O Filho do Holocausto, sobre essa emblemática figura da MPB, dirigido por Pedro Bial e Heitor D’Alincourt. As sessões de abertura são exclusivas para convidados, mas os filmes são reprisados na programação.

Com todas as demais sessões gratuitas, o festival acontece em São Paulo de 22 de março a 1º de abril no CineSESC, CCBB, MIS e Cinemateca Brasileira. No Rio, os cinemas Espaço Itaú de Cinema Botafogo, Oi Futuro Ipanema e o CCBB recebem o festival de 23 de março a 1º de abril.

Os selecionados

80 títulos bem diversos de 27 países foram selecionados para esta edição, sendo 25 em estreia mundial. Segundo Labaki, o fundador e diretor do festival, poucas edições foram marcadas pela pluralidade de registos como essa, “do filme-diário ao afresco planetário, da revisita ao passado íntimo ao exame da atual conjuntura sócio-econômica mundial, o arco é amplo e fascinante.”

A seleção internacional, dividida em mostras competitivas e informativas (Especiais, O Estado das Coisas e Foco Latino-Americano) traz filmes premiados em festivais como Sundance, DocLisboa, Fidocs, Amsterdã, Cannes e Veneza. O curta ganhador do Oscar deste ano, Salvando a Face, de Daniel Jung e Sharmeen Obaid, ganha projeção especial.

Fora de competição, nomes conhecidos do universo do documentário têm seus trabalhos mais recentes exibidos, como Crazy Horse, de Frederick Wiseman; Carrière 250 Metros, de  Juan Carlos Rulfo; Vivam os Antípodas, de Victor Kossakovsky; Amargas Sementes, de Micha X. Peled, e Ao Abismo – Um Conto de Morte, um Conto de Vida, de Werner Herzog.

O diretor argentino Andrés di Tella é o tema da Retrospectiva Internacional, com a exibição do interessante curta Reconstituição do Crime da Modelo; um média sobre Macedónio Fernandez e seis longas, entre eles Golpes de Machado, sobre o cineasta experimental Claudio Caldini, e Motoneros, uma História, sobre o principal grupo armado da Argentina contra a ditadura militar.

Entre os doze títulos que competem na mostra internacional de médias e longas, olhos atentos para Cinco Câmeras Quebradas, de Emad Bornat e Guy Davidi; 1/2 Revolução, de  Omar Shargawi e Karin El Haki; É na Terra Não É na Lua, de  Gonçalo Toch, e Calafate – Zoológico de Humanos, de  Hans Mulch.

O Brasil no É Tudo Verdade

A Retrospectiva Brasileira deste ano homenageia um dos maiores documentaristas do país, Eduardo Coutinho. Batizada de “Coutinho – o caminho até Cabra”, com sete títulos e dois debates, a mostra passeia pelo período de formação do cineasta até o clássico Cabra Marcado para Morrer. A cópia do filme, recém restaurada pela Cinemateca Brasileira será exibida no festival.

Além de nove curtas na mostra competitiva, sete longas nacionais competem pelo Prêmio CPFL Energia/É Tudo Verdade, de R$ 110 mil, e pelo troféu criado pelo artista plástico Carlito Carvalhosa. São eles:  Coração do Brasil, de Daniel Solá Santiago, sobre a expedição dos irmãos  Villas Bôas nos anos 50; Cuíca de Santo Amaro, de Joel de Almeida e Josias Pires, sobre o famoso cordelista baiano; Dino Cazzola – Uma Filmografia de Brasília, sobre a construção da capital federal; Mr. Sganzerla – Os Signos da Luz, de Joel Pizzini, sobre os signos recorrentes na obra de Rogério Sganzerla; Os Irmãos Roberto, de Ivana Mendes e Tiago Arakilian, sobre o importante trio de arquitetos; Paralelo 10, de Silvio Da-Rin sobre a base Xinane da FUNAI e o trabalho do sertanista José Carlos Meirelles, e Tokiori – Dobras do Tempo, de Paulo Pastorelo, sobre a vida de seis famílias de imigrantes japoneses.

A produção nacional também está presente em outras mostras do festival. Será possível ver Xáreu – Memórias do Arraial, de Patrícia Ramos Pinto, Augusto Boal e o Teatro do Oprimido, de Zelito Viana, e  Santos, 100 Anos de Futebol Arte, de Lina Chamie, entre outros.

Itinerância

Após passar por São Paulo e Rio de Janeiro, o É Tudo Verdade segue para as cidades de Brasília, de 10 a 15 de abril, e Belo Horizonte, em maio.

Mais informações sobre os filmes e programação completa no site do festival.