(Drive, EUA, 2011)

Ação
Direção: Nicolas Winding Refn
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Bryan Cranston, Albert Brooks, Oscar Isaac, Christina Hendricks, Ron Perlman
Roteiro: James Sallis (livro), Hossein Amini
Duração: 100 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Apertem os cintos de segurança porque esta promete ser uma viagem tensa. Drive é um filme de ação diferente de tudo que temos visto até então nos cinemas. A primeira cena de perseguição policial, mais mental do que qualquer outra coisa, já antecipa que a adrenalina vai seguir caminhos muito distintos durante todo o filme.

Ryan Gosling vive um dublê/motorista de poucas palavras e sem muitos amigos. O nome de seu personagem não é conhecido e uma estranha zona de segurança e controle de sentimentos atrás do volante demonstram que sua vida é bem insignificante. Até que ele conhece Irene, sua vizinha e mãe do jovem Benício. Ela espera o marido sair da cadeia mas, enquanto isso, os dois se permitem o envolvimento.

Sem muitos diálogos, o filme vai se desenvolvendo em seu silêncio e é impressionante como os personagens são aprofundados sem muita dificuldade. É fácil perceber a timidez e delicadeza de Irene (Carey Mulligan); a confiança e o orgulho do sonhador Shannon (Bryan Cranston), chefe da oficina e amigo do motorista; e ter a certeza de que Bernie Rose (Albert Brooks) passa grande parte de seu tempo tentando corrigir resultados desastrosos das ações impensadas de Nino (Ron Pearlman).

A sequência dos acontecimentos é angustiante. Momentos de calmaria, alguns recheados de incerteza pelo que virá a seguir, antecedem momentos extremos de violência. Todo mundo sabe que alguma coisa vai dar errada, mas ninguém consegue dizer como e nem quando.

Tecnicamente muito bem elaborado, o longa confirma que o diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn (Bronson) sabe muito bem como usar a montagem, o som, a trilha sonora, a luz e uma fotografia inusual para o gênero para manipular os sentimentos dos espectadores e conduzir o filme para onde bem entender. Sem falar na segura direção dos atores, muito bem escolhidos.

Mulligan sobra ao viver a contida Irene com olhares tímidos e sorrisos doces e Cranston, ainda carregue nos maneirismos que parece ter aprendido com Robert de Niro e podem ser conferidos em todos os episódios da série Breaking Bad, não compromete em absoluto. E se Pearlman não choca tanto, e às vezes até exagere, com seu incontrolável personagem, é no mínimo estranho ver Brooks, depois de tantas comédias, na pele do mafioso controlado.

Mas o filme é mesmo de Gosling, sublime em seus silêncios e explosões de violência. Inegável o peso que ele dá ao personagem que é uma icógnita no começo do filme e vai se construindo aos poucos através de detalhes que poderiam passar despercebidos na mão de muitos outros atores.

Longe de ser uma viagem fácil, com muito sangue, adrenalina e cenas que chocam até aqueles de estômago mais preparado, Drive chega com seu festival de personalidade estranhas, atitudes imprevisíveis e, mesmo que não seja perfeitamente estruturado, comprova que o cinema de ação não precisa de um monte de músculos ou de explosões repetidas para funcionar.

Um Grande Momento

A sequência inicial.

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