(Donkey Xote, ESP/ITA, 2007)

Quem gosta de cinema sabe que a animação em 3D é quase completamente dominada pelos estúdios Pixar (Procurando Nemo, WALL-E, Os Incríveis) e Dreamworks (Shrek, Madagascar, Kung Fu Panda). Até por isso, é muito bom ver que tem mais gente pelo mundo tentando ingressar neste mercado. Alguns têm sucesso, outros, como Donkey Xote, nem tanto.

Quixote e Sancho estão brigados depois da última aventura. Porém, os dois aceitam partir em uma nova jornada depois que um cavaleiro misterioso promete apresentar ao cavaleiro errante sua amada Dulcinéia. Junto com eles seguem o cavalo medroso de Quixote e o burro iludido de Sancho Pança.

Ainda que alguns tropeços aconteçam com cabelos e superfícies líquidas, a qualidade visual do filme é inegável. O começo do filme, com o som e a imagem de pás de moinho girando é promissor, mas basta a narração começar para percebermos que o roteiro tem problemas graves.

Frouxo, sem propósito e cheio de personagens mal-construídos, ele acaba chamando muito mais atenção do que qualquer traço e faz a experiência ser muito mais entediante do que precisava.

O primeiro dos problemas do filme está na escolha do tema. Usar uma das obras mais importantes da literatura mundial é uma idéia que já nasce com uma chance significativa de dar errado, mesmo que o responsável já tenha tido algum sucesso anterior – como o caso de Jose Pozo e El Cid: A Lenda – com figuras bem conhecidas.

Os diálogos são excessivos e apelam para a piada ou a surpresa o tempo todo e, mais de uma vez, dão espaço a piadas e trocadilhos que, além de desnecessários, são muito fracos. O tom machista também está presente, principalmente nos diálogos sobre a esposa de Sancho Pança.

A vontade de colocar tudo que poderia ser colocado na tela também atrapalha muito e dá a impressão de que o projeto não tinha a confiança total daqueles que respondiam por ele. O número de referências literárias, históricas, cinematográficas, musicais e até de moda sobrecarregam e tentam convencer o público muito mais pelo “engraçadinho” da cena do que pela qualidade de seu conteúdo.

Galinhas com seios, armaduras com olhos, cavalos travestidos e letreiros de filmes mudos são algumas das opções visuais que também não dizem muito a que vieram. A escolha das músicas para a trilha sonora incidental também é estranha. Por que usar a canção “True Colors” de Cindy Lauper na primeira noite da jornada?

O público chega ao final do filme desatento e não consegue se empolgar com o desfecho clichê e rápido demais. Até as crianças parecem não se empolgar muito com as revelações de última hora.

Apesar de todos os pesares, o filme tem alguns momentos visuais fantásticos. O céu, principalmente à noite, é maravilhoso e a atenção aos detalhes, o ponto forte dos enquadramentos. O som também é muito bem cuidado.

Anunciado como um filme dos “produtores que viram Shrek”, o resultado é visualmente interessante, mas fica léguas de distância de acontecer. Talvez fosse bom os tais produtores verem outros títulos de animação além de Shrek, porque só esse não deu não.

Um Grande Momento

A visão do cavalo no incêndio do celeiro.

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Aventura/Animação
Direção: Jose Pozo
Roteiro: Miguel de Cervantes (romance), Angel E. Pariente
Duração: 90 min.
Minha nota: 4/10
Nota do Digo: 5/10