(Divinas Divas, BRA, 2016)
Documentário
Direção: Leandra Leal
Roteiro: Leandra Leal, Carol Benjamin, Natara Ney, Lucas Paraizo
Duração: 150 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

O teatro Rival é um dos espaços de manifestação cultural mais tradicionais do Rio de Janeiro. A casa de espetáculos conduzida por muitos anos pelo produtor Américo Leal, presenciou, em plena ditadura militar, o início da trajetória de algumas das mais famosas travestis do Brasil. Enquanto Rogéria e companhia encenavam seus números, uma garota começou a conviver com este grupo de artistas nos bastidores. A garota é a atriz Leandra Leal, neta do já falecido produto Américo Leal e agora uma das responsáveis pela administração do teatro.

Para homenagear os 50 anos de carreira de oito das mais célebres travestis deste país, a atriz dirigiu e produziu Divinas Divas, baseado em uma apresentação comemorativa com todas elas no palco do Rival. O documentário é um relato sensível, que, em muitas vezes, parece trazer à tela a memória afetiva da atriz durante o período em que frequentava constantemente o teatro do avô.

O processo de realização do documentário não foi simples. A produção do filme criou uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a obra, que, mesmo assim, contou com aporte financeiro do bolso da própria Leandra Leal. Além disso, a atriz tinha o desafio de transformar mais de 400 horas de material em uma história à altura das suas divas. E conseguiu.

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A obra mostra a amizade surgida entre elas durante todo este tempo, do companheirismo e da fama que elas alcançaram. Também retrata sua luta, o preconceito vivido e toca em um tema delicado: a velhice. Muito bem editado, o filme intercala momentos íntimos e confessionais das artistas com a preparação delas para o show Divinas Divas no mesmo teatro em que tudo começou. Em alguns momentos, as situações que a diretora viveu e sentimentos que ela carregou durante a convivência com as travestis vem à tona através de locuções em off.

Apesar de Rogéria ser, provavelmente, a travesti que conseguiu maior projeção nacional, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios tiveram igual espaço para relatar suas vidas. São histórias de amor, aceitação, sucesso fora do Brasil, momentos difíceis, laços de amizade e familiares, retratados com todo respeito à tragetória de cada uma.

Segundo relatório da ONG internacional Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo, sendo que o segundo lugar está bem distante de nós. É por esta triste realidade em que vivemos, que filmes como Divinas Divas são essenciais para fortalecer a luta contra a intolerância.

Mais do que uma homenagem a estas artistas que dedicaram suas vidas a encantar o público com suas interpretações, o documentário é o testemunho da história de um grupo de pessoas que decidiram não se apagar diante do conservadorismo e preconceitos existentes.

Um Grande Momento:
“My Way”.

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