(Wreck-it Ralph, EUA, 2012)

Animação
Direção: Rich Moore
Roteiro: Rich Moore, Phil Johnston, Jim Reardon, Jennifer Lee
Duração: Duração 108 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Tanto a indústria cinematográfica quanto a de games lucram bilhões de dólares e o caminho comum para se encontrarem e multiplicarem esses bilhões é criar videogames baseados em filmes de sucesso, como Harry Potter, Star Wars entre outros. Se comparado, o caminho contrário é um pouco mais raro. Poucos videogames foram parar nas telonas e, acima de tudo, com qualidade (que o digam tentativas frustradas como Super Mario Bros e Mortal Kombat).

Com Detona Ralph, a Disney parece buscar preencher essa lacuna e conquistar um público diferente: os gamers. Mas não só eles são fisgados. O filme agrada também às crianças, encatadas com o fartamente colorido e “fofo” mundo de alguns jogos, e aos adultos, que se perdem no saudosismo ao ver uma reunião da Bad-Anon (traduzido em algo como Vilões Anônimos) com M. Bison e Zangief (“Street Fighter”), Sub-Zero (“Mortal Kombat”), Dr. Robotnik (“Sonic”), Rei Koopa (“Super Mario”) e Clyde (o fantasminha do “Pac-Man”). Sem dúvida, a maior qualidade do filme é ser um tributo aos games e arcades que conquistaram muitos adultos e ainda encantam crianças por aí.

O Ralph do título é o vilão do videogame clássico “Conserta Felix Jr.” há 30 anos. Ele tem a função de quebrar coisas para que Felix Jr., o mocinho da história, conserte e seja aclamado como o grande herói do jogo. Cansado de ser ignorado e viver isolado, deseja provar a todos o quanto pode ser uma pessoa de valor, tal como Felix, e decide sair de seu jogo para conquistar uma medalha e provar que pode ser bom. Assim, ele entra em um jogo “turbo” de tiro em primeira pessoa, apresentado pela durona Sargento Calhoun. Obviamente nada é tão fácil, as coisas não saem exatamente como planejado e ele sai criando confusões até parar em Sugar Rush, uma corrida de karts de doces. Lá conhece a extremamente doce e adorável Vanellope von Schweetz, que na verdade é um bug do jogo.

A premissa da condição existencial do protagonista, associada a um mundo fantástico de dentro da “placa-mãe”, é muito boa mas logo ocorre a primeira falha do filme: uma quebra de ritmo no roteiro. Quando Ralph pula para o mundo doce e muito rosa do jogo “Sugar Rush”, a densidade que vimos no começo é deixada um pouco de lado. Nesse momento o filme ganha uma levada muito mais infantil, modificando o rumo inicial que ia tomando e desequilibrando a fita. O filme também perde bastante tempo na discussão moralista sobre a questão do que é ser bom ou mau.

Nota-se também uma característica “toy story”, com os personagens que têm uma vida diferente quando não se relacionam com humanos, só que a tentativa é frustrada. A isso soma-se, o problema na inconstância do roteiro. Ralph começa numa luta existencial e acaba numa baboseira sentimental. Situações forçosamente sentimentais não faltam

Porém não pense que Detona Ralph é um filme ruim, pelo contrário. Ele tem suas qualidades. Por exemplo, a concepção de como funcionam as coisas quando o fliperama está fechado é incrível. A transição dos personagens pelos jogos, o transporte, as relações e a confraternização entre eles, tudo isso dá vontade de fazer parte daquilo. O diretor Rich Moore parece entender muito sobre esse mundo eletrônico.

O filme ganha pontos extras com as animações em 8 bits dos games mais antigos como “Pac-Man” e também na tradicional marca da Disney no ínicio do filme, agradando os mais saudosistas. Um tributo aos gamers no ritmo alucinante do “Hero’s Duty”, com muitos movimentos e cortes na câmera dando tensão e o uso da visão em primeira pessoa que lembram jogos como “Halo”. Há também o excesso de cor e fofisse de “Sugar Rush” e seus doces e personagens com aparência mais oriental, o que acerta em cheio no gosto das crianças.

Outra parte muito boa do filme são as aparições de Vanellope, uma personagem extremamente carismática, e todas as participações de Conserta Felix Jr. ao lado da Sargento Calhoun, que formam um casal improvável, mas deliciosamente divertido em suas interações.

Apesar de derrapar na história e em pontos do roteiro, por esse motivos vemos que vale a pena dar uma chance ao grandão e atrapalhado Ralph.

Um Grande Momento:
A gosma movediça.

Detona-Ralph

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