(A Despedida, BRA, 2014)

Drama
Direção: Marcelo Galvão
Elenco: Nelson Xavier, Juliana Paes, Amélia Bittencourt, Tereza Piffer Ithamar Lembo
Roteiro: Marcelo Galvão
Duração: 90. min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

A Despedida, novo filme do diretor Marcelo Galvão, fala sobre o final da vida. Quando a idade já tirou do ser humano quase toda a sua capacidade de sobreviver por si só. A sequência inicial, extremamente poética, desnuda a realidade daquele senhor de 92 anos. Toda a sua decadência e momentos breves e melancólicos de felicidades pequenas, pela fralda seca ao amanhecer ou o vestir-se sozinho, juntamente com o desenho de som geram um nível de surpresa e intimidade que ganham o espectador.

Muito do longa está nessa capacidade de comover e envolver o público. Seja com pequenos detalhes, como os cadarços desamarrados, como com o acompanhar a jornada quase impossível daquele homem, o almirante, que descobrimos ter sido respeitável e marcante na vida dos que com ele conviviam.

Para viver o personagem principal, Nelson Xavier. Entregue ao papel, o ator paulistano é a alma do filme, em cada um de seus gestos e expressões. Para viver sua amante, a escolhida foi a atriz global Juliana Paes. Coadjuvante em comédias fáceis e protagonista em filmes menos significativos, Juliana demonstra em A Despedida uma capacidade interpretativa até então desconhecida.

Com boas atuações e uma história interessante, é nos momentos sutis que está a maior força de A Despedida. Em cenas rápidas, que demonstram justamente lampejos de felicidade em uma realidade nada feliz.

O longa-metragem foi exibido em uma cópia de qualidade inferior na 18ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. De acordo com o diretor, duas cópias foram trazidas à cidade e uma delas, a de melhor resolução apresentou problemas de áudio. Como este era um recurso fundamental para a imersão do público, a opção foi privilegiar o som à imagem. Mesmo assim, com a imagem pixelada, pode-se perceber um cuidado muito grande com a construção dos planos.

Além da imagem, prejudicada pelo problema, o filme tem alguns deslizes. O pior deles, sem dúvida, em seu desfecho, quando Galvão conta a origem da história que conta. A escolha busca criar uma comoção ainda maior no público e pode até funcionar com poucos. No fundo, só diminui a força da obra.

Independente de qualquer coisa, é um filme que merece ser visto pela poesia com que retrata o amor e fim da vida.

Um Grande Momento:
“Se vestiu sozinho?”

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