(Nome Original, PAIS/PAÍS/PAÍS/PAÍS, ANO)
Comédia
Direção: Tomas Portella
Elenco: Gregório Duvivier, Clarice Falcão, Marcos Caruso, Dani Calabresa, Rafael Infante, Paulo Leal, Zezé Polessa, Daniel Duncan, Verônica Debom, Carol Portes, Luis Lobianco
Roteiro: Pedro Carvalhaes, Adriana Falcão, Tatiana Maciel, Célio Porto
Duração: 94 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Um dos subgêneros cinematográficos que ainda precisa se fortalecer no cinema brasileiro é a comédia romântica. Ainda muito contaminada pela influência estadunidense, a maioria dos filmes nessa levada carecem daquela regionalização que somaria muitos pontos no resultado final.

Desculpe o Transtorno observa essa particularidade e tenta fazer diferente. Mérito do filme. Mas fica o aviso de que, mesmo por contar em seu elenco com nomes como Gregório Duvivier, Clarice Falcão e Rafael Infante, conhecidos pelo coletivo Porta dos Fundos, ou de Dani Calabresa, do programa televisivo Zorra, não se trata de uma comédia escrachada. É um filme de amorzinho.

Eduardo, conhecido pelo apelido Duca, precisa decidir, ainda na infância, se após a separação dos pais vai ficar no Rio de Janeiro com a mãe ou mudar-se para São Paulo com o pai. O destino escolhido é este último. Aproveitando-se da rixa entre cariocas e paulistanos, o longa-metragem traz todos os clichés possíveis e imagináveis nessa conhecida comparação para construir o protagonista.

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Eduardo tem que conviver com o pai egocêntrico, dono do escritório, e com a namorada patricinha controladora. Seu único respiro são os dois melhores amigos, um folgado que mora em seu sofá e finge entender de computadores e um pouco divertido aspirante a comediante de stand up.

Aquele cara, que não consegue contrariar ninguém, leva uma vida de transtornado obsessivo-compulsivo, com uma rotina milimetricamente calculada, desde a posição das pantufas ao lado da cama até o tempo que leva para chegar ao escritório de patentes onde trabalha.

Quando a mãe morre e ele precisa voltar ao Rio de Janeiro, uma nova personalidade aparece. Duca é malandro e descolado e acha o Rio de Janeiro o melhor lugar do mundo. Mais aberto à vida, permite-se conhecer novas pessoas, como a filosófica e preocupada Bárbara, uma atriz fracassada que ganha a vida se vestindo de coelho rosa que distribui balões no aeroporto Santos Dumont.

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Embora tenha uma idéia interessante e tente explorar as diferenças das duas cidades que são tão próximas e fáceis de chegar, mas têm realidades completamente diferentes, Desculpe o Transtorno não consegue superar o roteiro, um apanhado de diálogos artificiais.

Mesmo que a história de Duca e Bárbara tenha potencial, a indecisão entre uma linha a seguir faz com que momentos fundamentais para a construção do filme transformem-se em trechos rápidos e pouco significativos, como a cena da mala no apartamento, solucionada quase no susto.

Mas, tirando os acidentes de trajeto, não deixa de ser uma experiência bonitinha, como precisam ser as comédias românticas. Falta muita coisa para acertar, mas o tentar fazer diferente já tem um valor enorme.

Não é um filme que vai ficar na cabeça do espectador por muito tempo e nem agradar completamente, mas Desculpe o Transtorno vai cumprir bem o seu papel de comédia romântica, fazendo sorrir e achar bonitinho na mesma medida, e com uma história que pode ser facilmente identificada.

Um Grande Momento:
Ovo mexido frio.

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