(Deadpool, EUA/CAN, 2016)

Ação
Direção: Tim Miller
Elenco: Ryan Reynolds, Karan Soni, Ed Skrein, Michael Benyaer, Stefan Kapicic, Brianna Hildebrand, Morena Baccarin, Gina Carano
Roteiro: Rob Liefeld, Fabian Nicieza (personagem), Rhett Reese, Paul Wernick
Duração: 108 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Depois de toda a ansiedade e expectativa causada pela intensa campanha de marketing, Deadpool chega aos cinemas brasileiros nessa semana, no próximo dia 11 de fevereiro.

A primeira coisa que o filme faz é subverter aquela certeza de que altas expectativas prejudicam o resultado. Em sua configuração original, aquela criada pro Rob Liefeld e Fabian Nicieza nos quadrinhos, Deadpool entrega efetivamente tudo o que foi prometido.

Depois de ver o último herói da Marvel, Homem-Formiga, em um filme ingênuo e familiar, o filme dirigido por Tim Miller chega quebrando tudo e vem desfazer dois grandes problemas: o primeiro deles é melhorar a moral da Fox, detentora dos direitos do herói, depois do péssimo Quarteto Fantástico.

O segundo, e muito mais importante, é resgatar a imagem do próprio herói. Isso porque, em 2009, ele apareceu completamente do desvirtuado no longa-metragem X-Men Origens: Wolverine. Os dois heróis são resultados do projeto Arma X e, naquele filme, ambos se enfrentam.

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Aqui, os roteiristas basearam-se realmente naquilo que se conhecia das histórias em quadrinhos. A vida de mercenário, a tagarelice que lhe garantiu o apelido ‘Merc with a mouth’ (mercenário tagarela), as tiradas inspiradas, a mania de quebrar a quarta parede – falando diretamente com o espectador – e as muitas brincadeiras com o universo dos super-heróis.

Entre os pontos positivos de Deadpool está o fato de como o filme se distancia da recente produção de filmes de super-heróis. Desde os lançamentos dos primeiros filmes dos personagens da Marvel e depois da influência das novas leituras de Christopher Nolan desse universo, há sempre uma necessidade muito grande em forçar a identificação com os personagens, trazendo os filmes para um lado mais sombrio, mais pesado e mais sério, que deixa a diversão de lado.

O movimento reverso, iniciado com Guardiões da GaláxiaHomem-Formiga estabelece em Deadpool um novo caminho a ser seguido. Quem dá vida a Wade Wilson é novamente Ryan Reynolds, que também esteve em X-Men Origens: Wolverine e, sete anos depois, encontra-se perfeito para o papel do desbocado herói. O fato de usar atores que tem segurança no registro cômico faz toda diferença.

Além do humor, tanto na atuação inspirada quanto no roteiro que não perdoa ninguém, o filme ainda tem seus momentos curiosos, como os créditos iniciais, que já antecipam o tom do filme, passeando por uma imagem congelada, ou a elipse temporal com os encontros sexuais de Wade e Vanessa.

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Outra coisa bastante presente é a violência. Muitas lutas, muitos tiros e um bocado de sangue estão por todos os lados. Algumas cenas são mais comuns que outras, já foram vistas muitas vezes, mas tem também aquelas que ninguém estava esperando e que justificam a classificação indicativa de 16 anos.

O filme tem os seus defeitos, como alguns fios soltos no roteiro e uma inconstância nas atuações dos coadjuvantes, principalmente no caso daqueles que não são atores mas sabem fazer uma boa coreografia de luta.

Mas, na verdade, eles não fazem muita diferença. Deadpool é um filme que faz tudo o que quer e acerta em cheio com o público. Funciona como ação, funciona como comédia e segue um caminho que deveria ser observado mais de perto por aqueles que tentam trazer o universo das HQs para os cinemas.

Um Grande Momento:
Qual Professor Xavier?

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