Hoje o dia pareceu mais um grande tropeço do que qualquer outra coisa. Depois de acordar cedo e correr para conferir a projeção de “Só 10% É Mentira”, ao chegar ao Centro de Cultura, fui informada de que o filme, simplesmente, não estava em Gramado. Ao perguntar o porquê, ninguém sabia me responder, só sabiam que o exibidor não tinha vindo trazer o filme.

Ao sair, fui para a ExpoGramado, onde está o apoio aos jornalistas, artistas, exibidores, produtores e qualquer um que esteja no festival. Procurei então um da equipe do filme para saber o que tinha acontecido. Segundo o produtor Marcio Paes, a organização não enviou a passagem para o Pedro Cezar, diretor, trazer o filme e nem tomou qualquer outra providência.

Chateada, fui escrever sobre o filme de Solanas e na hora de postar, descobri que o meu modem não funcionava. Tudo bem, lá tinha internet. Voltei para o Centro de Cultura para assistir à Mostra Infantil. Na verdade a mostra trazia um seleção do programa “Histórias Curtas”, da RBS TV, que divulga o trabalho de curta-metragistas locais.

As cinco produções de vários anos, talvez por causa da gripe, não tiveram o público esperado. Na sala eramos cinco crianças e eu. Os filmes exibidos foram “Gol a Gol”, de Bruno Carvalho; “Sobre Aquele que Nada Fazia e um Dia Fez”, de Rafael Figueiredo; “Foi Onde Deu pra Chegar de Bicicleta”, de Frederico Pinto; “De 10 a 14 Anos”, de Mario Schoenardie, e a animação “X-Coração”, de Lisandro Santos.

Sem dúvida, o melhor da seleção foi o primeiro que, com a carismática dupla mirim Pedro Tergolina e Jorge Júnior, emociona e consegue trazer lembranças a quem o assiste. “De 10 a 14 Anos” é bem curioso e tem sua maior força no texto que é quase todo narrado no presente, como se o futuro já tivesse acontecido.

Após a exibição, fui para o quiosque da Vivo montado ao lado do Palácio dos Festivais tentar resolver o meu problema de conectividade. Em época de Festival a região aqui fica cheia de quiosques, de telefonia celular principalmente. Mas que nada resolvem de verdade.

Frustrada e atrasada, corri para o cinema para conferir a programação do dia. A mostra competitiva de curta-metragens estava em seu primeiro dia. Infelizmente cheguei no meio da projeção de “Pra Inglês Ver”, de Vitor Granado e Robson Dias, que parece muito bom e relevante. Os outros curtas foram o divertido mas oscilante “Em Terra de Cego”, de Rodrigo Boltshauser; o interessante “Quiropterofobia”, do diretor gaúcho Fernando Mantelli, e o excelente Doceamargo, de Rafael Primot, que consegue integrar seu bom texto às boas atuações de Débora Falabella e Rafael Primot, mas que foi prejudicado pelo público que tem o péssimo costume de se levantar e sair da sala assim que os créditos começam. Ou seja, além de atrapalharem o clima dos outros, ainda não vê o filme inteiro.

Após a exibição dos curtas, foi a vez do filme venezuelano La Teta Assustada, concorrente como longa-metragem estrangeiro. O longa é duro, mas vale a pena conferir.

No intervalo das sessões, Reginaldo Faria recebeu o troféu Oscarito por toda a sua contribuição ao cinema. Merecido mas, particularmente, acho que não adianta a curadoria, visando restabelecer o valor cinematográfico do festival, apurar sua seleção e buscar títulos mais relevantes se essa farra de troféus e homenagens continuar.

Além de dar esse ar “celebridades” ao evento, ainda são tantos troféus, que fica difícil estabelecer critérios e em um mesmo festival, um atores importantes para o cinema como o próprio Faria ou Dira Paes podem ser premiados no mesmo palco que alguém que só usou o cinema para ganhar dinheiro, sem a menor preocupação com a arte.

Para encerrar a noite, foi exibido o documentário brasileiro “Cildo”.