Em mais um dia gelado na Serra Gaúcha, o programa matutino foi descansar e andar por aí e matar a saudade da cidade.

Só no meio da tarde, já de luvas compradas, é que fui para o Palácio dos Festivais, onde escrevi sobre os filmes de ontem e tive uma conversa animadíssima com a documentarista Luci Alcântara.

Seu filme “Geração 65: Aquela Coisa Toda” conta um pouco da história da literatura pernambucada e participa da mostra paralela Música e Poesia. Depois de falarmos sobre cidades do Brasil, fomos parar em sua terra, em seus jornalistas e acabamos em seu novo projeto.

Tem tudo para ser uma jornada bem divertida e me deixou bem curiosa. Já iniciado, com quase 70% do material rodado, fala da megalomania dos pernambucanos e traz nomes de artistas ilustres do local nas mais diversas áreas. Vale a pena acompanhar o andamento.

Toda a conversa, junto com a minha experiência nos últimos festivais e a experiência de ontem me deixaram pensativa. Cada vez mais me convenço de que é nos documentários e nos curtas-metragens que está a força do cinema brasileiro. Não que não existam bons longas ficcionais, gosto de vários, mas não tanto e nem de tantos.

Nos curtas, é verdade, há a vantagem da quantidade. Quanto maior a produção, maior é a chance de encontrar bons resultados. Mas, diferente das costumeiras seleções de longa-metragem, sempre há um (ou vários) curta que me chama muito a atenção e me faz esperar pelos próximos projetos de nomes da ficha técnica.

O nosso jeito próprio e miscigenado de fazer documentário também me encanta. As experiências com títulos como “Santiago”, “Jogo de Cena”, “Palavra (En)Cantada”, “O Milagre de Santa Luzia” e mesmo o curta “O Velho Guerreiro Não Morrerá – O Cangaceiro de Lima Barreto 50 Anos Depois” são sempre gratificantes.

Voltando a Gramado, o primeiro filme da noite foi “La Próxima Estación”, de Fernando E. Solanas, sobre a crise ferroviária da Argentina e suas consequências. Bom filme. Emocionante, ainda que longo demais, e de autoria facilmente identificável.

Depois foi a vez de Canção de Baal, assinado pela atriz Helena Ignez. Famosa por suas atuações em títulos de impacto dos anos 60, como “Assalto ao Trem Pagador”, “Signo do Caos” e “A Mulher de Todos”, ela traz às telas um ensaio cheio de referências ao cinema marginal e solto demais para funcionar como deveria. Me deixou mais tonta do que impactada, na verdade.

Amanhã, ou melhor, hoje mesmo, tenho um dia cheio e promissor. Vejo curtas infantis pela manhã e a primeira parte da mostra competitiva também de curtas à noite. Ainda vejo os documentários “Só Dez por Cento É Mentira” e “Cildo”, além de rever “La Teta Asustada”.

Mas agora preciso dormir para aguentar tudo isso.