Quando o Cenas de Cinema voltou a ser escrito, no idos de 2007, a idéia era fazer dele um lugar exclusivo para comentários de filmes e cobertura de festivais, enfocando também a impressão causada pelos filmes em competição.

Como um blog tem essa característica mais imediata e fácil de modelar, vários pedidos e experiências foram feitos ao longo do caminho. Alguns deram certo, outros nem tanto e o Cenas de Cinema foi se transformando.

Esse mês temos algumas novidades. Além da coluna Lendo Cinema, prevista para a segunda quinzena de agosto, começa hoje a publicação da coluna Credencial. Nela, o colunista vai falar do que acontece nos festivais de uma maneira mais pessoal e informal. Espero que gostem.

A idéia era começar a escrever ontem mesmo sobre o Festival de Gramado, na minha opinião o mais charmoso do circuito brasileiro, mas a correria do dia, somada à chuva sem fim e ao cansaço gelado após a projeção de ontem acabaram adiando para hoje a tarefa.

O frio, como quase sempre, está presente para deixar tudo mais bonito e elegante, mas é uma pena que tenha chovido. Não tem casaco, gorro e meia que adiate quando gotinhas chatas e geladas insistem em entrar em contato o corpo. Não sei se é assim com todos, mas eu fico bem irritada.

Como em todos os anos, a cidade está cheia de artistas globais (daqui a pouco, com a entrada da Record na história, esse nome não serve mais) e, consequentemente, de câmeras fotográficas e fãs que querem estar perto de seus ídolos.

O espaço também é dividido com vários realizadores, nomes exclusivamente do cinema nacional, críticos e jornalistas de vários veículos, jurados e cinéfilos.

A noite de ontem foi de Dira Paes, atriz fundamental para o nosso cinema, que merecidamente recebeu uma homenagem especial do festival por sua dedicação à sétima arte. Emocionada, ela aproveitou o dia dos pais para dedicar o prêmio aos dois que tem: ao biológico e ao próprio cinema que, segundo ela, também é seu pai.

As projeções foram abertas com o clássico do cinema latino-americano Memória do Subdesenvolvimento, do cubano Tomaz Gutiérrez Alea mas que, embora seja um grande filme e eu adore rever, não agradou tanto ao público. Várias pessoas saíram antes da conclusão e teve até casal que entrou no meio da sessão, sentou atrás de mim e resolveu discutir a relação.

Independente da aceitação, a escolha é importante por demonstrar uma tentativa de retomar a característica mais engajada do festival, a de se voltar para o cinema independente, não tão conhecido, deixando um pouco de lado o esquemão comercial que, afinal de contas, já tem suas premiações a la Academy Awards. O Prêmio Vivo do Cinema Brasileiro e o Festival de Paulínia que o digam.

O primeiro filme em competição foi Quase um Tango…, do gaúcho Sérgio Silva, que além de prejudicado pela projeção digital pareceu ingênuo demais depois de Memória. Mas falarei mais sobre os dois nas próximas postagens.

Vou atualizando vocês com mais notícias da serra gaúcha ao longo da semana. Agora que consegui vestir meus três casacos e achei minha toca-echarpe ficou bem mais fácil. Só falta mesmo a luva.

Todas as fotos são de Cecilia Barroso