A partir de hoje, 6 de setembro, o Rio de Janeiro vira a capital do cinema com o começo do Festival do Rio. A maratona de filmes já começa chamando a atenção com a exibição do novo filme de Pedro Almodóvar, A Pele em que Habito, na noite de abertura. São mais de 350 filmes nacionais e internacionais divididos entre 18 mostras, com vários locais de exibição e preços variados. Sem falar nos encontros, debates, palestras e workshops da programação.

Há muito para ser visto até o próximo dia 18, quando o documentário Raul Seixas – O Início, o Fim e o Meio encerra o festival. Na seleção deste ano, vários títulos premiados em festivais ao redor do mundo, novos filmes de realizadores populares, esperadas estreias nacionais e programas em homenagens a realizadores e países, como a Mostra Daria Argento e Made in USA.

São tantas opções que o difícil mesmo é escolher que filmes assistir. Como cada um tem o seu gosto, também não dá para ajudar muito, mas vamos tentar.

Première Brasil

A mais importante mostra do festival acontece no charmoso Cine Odeon, no centro, e sempre dá uma ideia do que está sendo produzido no Brasil e, embora nem sempre tenha só filmes bons, merece uma atenção especial.

Neste ano, os longas de ficção em competição mais esperados pelo Cenas são a adaptação do livro homônimo de Marçal Aquino, Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios, de Beto Brant e Renato Ciasca; o curioso Mãe e Filha, de Petrus Cariry, e O Abismo Prateado, de Karim Aïnouz, inspirado na canção Olho nos Olhos, de Chico Buarque. Outras ficções em competição são A Novela das Oito, de Odilon Rocha; Amanhã Nunca Mais, de Tadeu Jungle; Girimunho, de Helvécio Marins Jr. e Clarissa Campolina, Histórias que Só Existem Quando Lembradas, de Julia Murat, A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra, e Sudoeste, de Eduardo Nunes.

Entre os documentários em competição, Canções, de Eduardo Coutinho; Laiá, Laiá, de Alexandre Iglesias; Mentiras Sinceras, de Pedro Asbeg, e Marighella, de Isa Grinspum Ferraz, chamam a atenção. Eles competem com A Era dos Campeões, de Cesário Mello Franco e Marcos Bernstein; Luz, Câmera, Pichação, de Marcelo Guerra, Gustavo Coelho e Bruno Caetano; Olhe pra Mim de Novo, de Kiko Goifman e Claudia Priscila, e Os Últimos Cangaceiros, de Wolney Oliveira.

Fora de competição, o público pode conferir Capitães da Areia, de Cecília Amado; Corações Sujos, de Vicente Amorim; O Palhaço, de Selton Mello; Os 3, de Nando Olival, e Reis e Ratos, de Mauro Lima.

Mostra Panorama de Cinema

Como de costume, os títulos mais cobiçados fazem parte da Mostra Panorama do Cinema Mundial. É o caso de Um Método Perigoso, de David Cronenberg; Contágio, de Steven Soderbergh; 4:44 Last Day on Earth, de Abel Ferrara; Les bien-aimés, de Christophe Honoré; Dark Horse, de Todd Solondz, e Inquietos, de Gus Van Sant, todos de diretores com uma longa tragetória.

O panorama traz também A Floresta, de Rafi Pitts; A Árvore do Amor, de Zhang Yimou, e Até a Chuva, de Icíar Bollaín, que chamaram atenção no Festival de Berlim. Do Festival de Toronto, temos O Caçador, de Daniel Nettheim, com Willem Dafoe e Sam Neill, e de Veneza, Caminho para o Nada, de Monte Hellman. Os filmes O Porto, de Aki Kaurismäki; Chantrapas, de Otar Iosseliani, A Fada, de Dominique Abel, e Et Maintenant, on Va Oú?, de Nadine Labaki, vêm direto da seleção de Cannes.

Entre os outros títulos curiosos estã também Paz, Amor e Muito Mais, de Bruce Beresford, com Jane Fonda, Catherine Keener e Elizabeth Olsen; Quinta-feira Negra, de Antoni Krauze, sobre a repressão a manifestações na Polônia em 1970; Sentidos do Amor, de David Mackenzie, com Ewan McGregor e Eva Green, e Um Dia, de Lone Scherfig, com Anne Hathaway, Jim Sturgess e Patricia Clarkson.

Mostra Midnight

Este ano, a tradicional Mostra Midnight foi divida em três mini-mostras. Uma dedicada mais genérica, outra ao cinema de terror e outra à música.

Alguns dos selecionados para a mostra geral são Paul – Contatos Imediatos com Essa figura, de Greg Mottola, que não vai ser lançado no circuito comercial brasileiro, indo direto para o mercado de home video; Rare Exports, de Jalmari Helander, que conta uma nova história do Papai Noel

Na Mostra Midnight Terror, filmes como a co-produção cubana-espanhola Juan dos Mortos, de Alejandro Brugués; o primeiro filme de terror de Israel, Raiva, de Aharon Keshales; o novo filme de Kevin Smith, Red State, e o surreal L.A. Zombie, de Bruce LaBruce.

Para quem gosta de música, não faltam opções em documentários. Nomes de diretores cultuados aparecem na Mostra Midnight Música (uma das três divisões da já tradicional Mostra Midnight). É o caso de Cameron Crowe e seu Pearl Jam Twenty e Martin Scorses com o documentário sobre o Beatle George Harrison, Living in a Material World. Filmes sobre Ray Charles, Iggy & The Stooges, Kings of Leon, Sigur Rós e U2 também estão na mesma mostra.

Mostra Itinerários Únicos

Outro documentário sobre música faz parta da Mostra Itinerários Únicos, o filme sobre o jazzista Michel Petrucciani que leva o seu nome, de Michael Radford. A mostra se destina a documentários sobre expoentes de áreas específicas. Como a alta-costura, em Jean-Paul Gaultier, Quebrando as Regras; o jornalismo de moda, em Diana Vreeland: O Olhar Tem Que Viajar; a literatura de Fran Lebowitz: Falando em Público; a gastronomia em El Bulli – a Gastronomia em Progresso; o xadrez, em Bobby Fischer Contra o Mundo, e a crítica de arte, em Formas de Afeto: Ensaio Sobre Mário Pedrosa, entre outros.

Homenagens

Algumas mostras especiais homenageiam realizadores, como À Luz de Patrício Guzmán, com dez títulos do diretor chileno sobre as mudanças políticas em seu país; Dario Argento e Seu Mundo de Horror, com dois títulos sobre ele e vinte quatro filmes do cineasta italiano, e O Enigma Bela Tarr, com um curta e dez longas do cineasta húngaro, entre eles O Cavalo de Turim, que levou o Grande Prêmio do Júri em Berlim este ano.

Alguns países também recebem mostras exclusivas. É o caso das mostras Foco Itália, Imagens de Israel e Made in USA. O meio-ambiente também tem uma mostra toda dedicada a ele.

Outras mostras

Entre os filmes da mostra Mundo Gay, que merecem uma conferida estão Ausente do argentino Marco Berger, e Arrependidos de Marcus Lindeen. Na Première Latina, O Prêmio de Paula Markovitch e Os Dois Escobares de Jeff e Michael Zimbalist; na Expectativa 2011, Beleza de Oliver Hermanus e Happy Happy de Anne Sewitsky.

As mostras Fronteiras, Dox e Filme Doc, Geração, Semana dos Realizadores, Itinerários Únicos e Semana da Crítica também estão cheias de títulos interessantes.

Você pode conferir todos os títulos baixando a programação do festival aqui (arquivo em pdf, com 6 MB). Outros detalhes estarão disponíveis no site do evento.