O Despertar da Besta, de José Mojica Marins

SÃO PAULO- A Cinemateca Brasileira e a Heco Produções promovem, a partir de fevereiro, uma retrospectiva do cinema de horror brasileiro. Ao longo do ano, em sessões mensais aos sábados, e com reprises durante a semana, serão apresentados títulos representativos de um gênero narrativo que dificilmente associamos à história de nosso cinema. Inédita em São Paulo, a mostra tem curadoria de Eugenio Puppo.

Desconhecido do grande público e ainda timidamente estudado, o cinema de horror no Brasil tem na figura de Zé do Caixão, e nos filmes de José Mojica Marins, seu criador, sua mais famosa expressão artística. No entanto, segundo pesquisas recentes, a cinematografia brasileira vem flertando com a narrativa fantástica desde meados dos anos 1930 e 1940, momento em que certos diretores inserem elementos do gênero ao enredo de comédias musicais como O Jovem Tataravô (1936), de Lulu de Barros, ou Fantasma por Acaso (1946), de Moacyr Fenelon.

Já na década de 1950, produtores e cineastas paulistas influenciados pelo clássico de Hitchcock, Rebeca, a Mulher Inesquecível (1940), investem por sua vez na criação de melodramas sombrios, marcados por uma atmosfera sobrenatural e por fortes papéis femininos como Caiçara (1950), de Adolfo Celi, e Meu Destino é Pecar (1952), de Manuel Peluffo. Mas a primeira produção a se declarar abertamente um “filme de horror brasileiro” foi À Meia-Noite Levarei Sua Alma, de José Mojica Marins, lançada em 1964.

Nos anos seguintes, o gênero encontrará espaço para seu desenvolvimento em produções realizadas na Boca do Lixo, em São Paulo, combinando-se muitas vezes a outras formas narrativas como o policial, a ficção científica, a comédia erótica, o suspense e o pornô.

No mês de abertura da mostra, serão exibidos três filmes representativos: O Despertar da Besta (1969), de José Mojica Marins, Ninfas Diabólicas (1978), de John Doo, e O Maníaco do Parque (2002-2009), de Alex Prado. A primeira exibição dos três títulos será feita em sequência, na programação especial HORROR NA MADRUGADA, que acontece a partir da meia-noite de sexta, dia 10, para sábado, dia 11, com sessões às 00h00, 02h00 e 04h00.

Com roteiro do mestre da pulp fiction brasileira Rubens Francisco Lucchetti, O Despertar da Besta é considerado pela crítica um dos mais importantes filmes de José Mojica Marins. Obra de invenção, sintonizada com a vanguarda do cinema marginal, foi logo proibido pelas autoridades militares. Por meio dos experimentos de um psiquiatra com LSD, o filme explora a metalinguagem e a psicodelia para falar sobre cinema. O Despertar da Besta será exibido em cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira, com patrocínio da Petrobrás.

Sucesso de bilheteria na época de seu lançamento, Ninfas Diabólicas é o filme de estreia de John Doo, diretor que voltaria a incursionar pelo horror em outras produções realizadas na Boca. Contando com fotografia do cineasta Ozualdo Candeias e com música original do maestro tropicalista Rogério Duprat, Ninfas Diabólicas reúne suspense, bruxaria e erotismo para narrar as desventuras de um pai de família seduzido por duas estranhas e belas jovens, interpretadas pelas musas Aldine Müller e Patrícia Scalvi.

Nesta primeira parte, a mostra inclui ainda O Maníaco do Parque, de Alex Prado. Inédito nos cinemas, o filme se baseia na verdadeira história de Francisco de Assis Pereira, “o maníaco do parque”, personagem que povoou as páginas policiais brasileiras nos anos 1990. Veterano diretor da Boca, Alex Prado dirigiu clássicos do faroeste brasileiro como Gregório 38 (1969) e Sangue em Santa Maria (1970). O Maníaco do Parque é seu filme mais recente.

Ninfas Diabólicas, de John Doo

PROGRAMAÇÃO

10.02 | SEXTA

SALA CINEMATECA BNDES
00h00 O MANÍACO DO PARQUE
02h00 NINFAS DIABÓLICAS
04h00 O DESPERTAR DA BESTA

14.02 | TERÇA
SALA CINEMATECA BNDES
20h30 NINFAS DIABÓLICAS

15.02 | QUARTA
SALA CINEMATECA BNDES
20h30 O MANÍACO DO PARQUE

16.02 | QUINTA
SALA CINEMATECA BNDES
20h30 O DESPERTAR DA BESTA

SERVIÇO
Horror no Cinema Brasileiro
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 (próxima ao Metrô Vila Mariana)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.