(Cinderella, EUA/GBR, 2015)

Fantasia
Direção: Kenneth Branagh
Elenco: Lily James, Richard Madden, Cate Blanchett, Helena Bonham Carter, Stellan Skarsgård, Sophie McShera, Holliday Grainger, Derek Jacobi, Ben Chaplin
Roteiro: Chris Weitz
Duração: 105 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Depois que Malévola abriu as portas para as adaptações “em carne e osso” dos famosos desenhos animados em duas dimensões dos estúdios Disney, o primeiro grande projeto a seguir o caminho foi Cinderela.

A história da menina que, depois da morte do pai, precisa servir à cruel e pedante madrasta e suas intragáveis filhas, e acaba arranjando um jeito mágico de ir ao baile onde o príncipe escolherá sua futura esposa, é aquela que já conhecemos.

O escolhido para a direção foi Kenneth Branagh, que já demostrou muita habilidade para lidar com variados temas, épocas e gêneros, como em Henrique V, Voltar a Morrer, Thor e Um Jogo de Vida ou Morte. Com toda a carga teatral que um ator de Shakespeare tem, o inglês privilegiou a atuação, fazendo com que todas suas atrizes, mesmo algumas propositalmente acima do tom, pudessem caber no filme por ele imaginado.

Cate Blanchett (Blue Jasmine) está incrível como a madrasta. Com gestos incisivos que se contrapõe à sutileza de olhares gélidos, ela toma conta de todas as cenas em que participa. Mais histéricas, mas ainda assim adequadas, estão as irmãs vividas por Sophie McShera (da série Downton Abbey) e Holliday Grainger (Jane Eyre). Para completar, Helena Bonham Carter (Os Miseráveis) é ao mesmo tempo atrapalhada, misteriosa e encantadora na composição de sua fada-madrinha.

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Junto com os desempenhos, há todo um trabalho muito cuidadoso com a fotografia, assinada por Haris Zambarloukos (Locke), e o desenho de produção de Dante Ferretti (Ilha do Medo), que constrói todo um universo de fantasia sem o qual a história não sobreviveria. Todo o cuidado com as cores na composição dos quadros é mesmo de uma precisão impressionante, que ganha ainda mais pontos com os figurinos maravilhosos feitos pela reconhecida Sandy Powell (Carol) para o filme.

Mas mesmo com uma direção segura e um visual encantador, há alguma coisa que não se acerta na versão em live-action de Cinderela. Além de uma certa falta de carisma de Lily James (Pegando Fogo), que vive a personagem central, há um desnível muito grande entre suas qualidades interpretativas com as companheiras de cena e talvez só se equipare à atuação do príncipe, vivido por Richard Madden (da série Game of Thrones), e de outros coadjuvantes menos importantes para a trama.

Tendo antagonistas e uma comparsa tão marcantes, seria interessante que aquela com quem o público se preocupa se sobressaísse, mesmo que de forma contida. A falta dessa conexão compromete claramente o filme, que acaba tendo que sobreviver a momentos que se tornaram enfadonhos justamente por esse motivo.

Outra coisa com a qual a Disney também podia ter se preocupado é com a atualização da moral da história, mantida como a original. O conto de fadas, adaptado para os cinemas em 1950, traz uma mensagem muito clara de subserviência e resignação, além de aliar a felicidade de sua protagonista a um relacionamento com outra pessoa. Coisa antiquada que o estúdio vem tentado deixar de fazer em suas releituras dos próprios clássicos, como ficou bem claro em Malévola.

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Claro que sabemos que aquilo que se conta fez parte de uma época, que a história é um clássico, mas isso já está no desenho animado e não haveria motivo para se filmar novamente a história se não havia vontade de modernizá-la, trazendo-a para um novo modo de ser contada, com uma moral, mesmo que manipulada, mais adequada aos dias atuais.

Um Grande Momento:
Cate Blanchett.

Oscar-logo2Oscar 2016 (indicações)
Melhor Figurino (Sandy Powell)

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