(Cidade de Deus – 10 Anos Depois, BRA, 2013)

Documentário
Direção: Cavi Borges, Luciano Vidigal
Roteiro: Gustavo Mello, Luís Nascimento
Duração: Duração 75 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

A ideia era falar sobre a violência urbana no Rio de Janeiro e, para isso, Fernando Meirelles e Kátia Lund foram buscar inspiração em um livo escrito por Paulo Lins em 1997. O romance, baseado em fatos reais, falava sobre o crescimento da criminalidade e o aparecimento de uma nova estrutura, onde imperava a violência, na Cidade de Deus. Adaptado por Bráulio Mantovani e com um elenco composto preferencialmente por moradores daquela comunidade, adolescentes e crianças que tiveram que passar por vários laboratórios e ensaios, o longa-metragem estreava nos cinemas.

Naquele momento, ninguém esperava que o filme fosse virar o que virou. Reconhecido mundialmente, o longa esteve presente no Festival de Cannes e recebeu inéditas indicações ao Oscar, nas categorias de melhor diretor, melhor roteiro adaptado, melhor fotografia (César Charlone) e melhor montagem (Daniel Rezende). Ainda hoje está presente em várias listas de indicação e preferência pelo mundo afora; entre os 25 melhores votados no site especializado em cinema IMDb e é um dos mais conhecidos filmes nacionais, por brasileiros ou não.

O filme chegou lá. Mas o que aconteceu com aqueles atores que foram selecionados para compor o elenco? Depois de viver uma realidade completamente distante da sua e com a fama instantânea, o que realmente mudou na vida deles? Foi com essa premissa, sugerida pela crítica de cinema Maria do Rosário Caetano, que Cavi Borges e Luciano Vidigal construíram a sua história.

Bem filmado e bem montado, o documentário Cidade de Deus – 10 Anos Depois vai atrás desses personagens e escuta a história de alguns deles. Ver nas telas a narração de sonhos e frustrações, o choque de realidades e relatos repletos de arrependimento e esperança é interessante, apesar de gerar aquele incômodo comuns em sociedades onde a diferença social e o preconceito estão presentes em todos os lugares.

Borges e Vidigal conseguem trabalhar bem essa sensação. Para isso, interrompem histórias e mesclam bem o humor e o drama. O resultado final funciona como deveria e faz pensar.

Porém, algumas coisas poderiam ser mais trabalhadas. A glamourização daqueles que conseguiram deslanchar na carreira incomoda, assim como a de inserção da questão do preconceito racial termina menos desenvolvida do que deveria.

Mas é um filme interessante, que merece ser conhecido.

Um Grande Momento:
O constrangimento no encontro de um que deu certo com um que não conseguiu chegar lá.

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