(Chocolat, FRA, 2015)
Drama
Direção: Roschdy Zem
Direção: Omar Sy, James Thierrée, Clotilde Hesme, Olivier Gourmet, Frédéric Pierrot, Noémie Lvovsky, Alice de Lencquesaing, Alex Descas, Olivier Rabourdin, Thibault de Montalembert, Héléna Soubeyrand, Xavier Beauvois
Roteiro: Cyril Gely, Olivier Gorce, Gérard Noiriel, Roschdy Zem
Duração: 110 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Primeiro negro a trabalhar como palhaço no circo, Rafael Padilla, sob o nome artístico de Chocolate, revolucionou a arte circense. Escravo foragido de Cuba, o artista foi descoberto em um circo decadente pelo antes aclamado palhaço George Footit. Vendo seus números como canibal africano e percebendo sua habilidade com os movimentos corporais, Footit resolve criar um novo número, em dupla com Padilha, que se transforma em um sucesso nacional.

Essa é a história real que o diretor Roschdy Zem (Bodybuilder) traz às telas no filme que leva o nome de seu personagem principal. Chocolate tem uma história que merece ser conhecida, mas o filme é tão quadrado e pouco inventivo, segue um caminho tão óbvio e já tantas vezes repetidos, que nem todo o brilhantismo de Omar Sy (Intocáveis), que dá vida ao protagonista e está muito bem acompanhado de James Thierrée (Bye Bye Blackbird), consegue resolver o problema de empatia do longa-metragem.

Chocolate-2015_interno

Há no roteiro, assinado a oito mãos por Cyril Gely, Olivier Gorce, Gérard Noiriel e Roschdy Zem, uma intenção de não só focar a questão do racismo no início do século, mas de buscar explicações para uma situação de exclusão que se mantém até hoje. É nesse ponto que o longa francês consegue ganhar alguns pontos. Embora por vezes pareça racista, é nesse despertar voluntário de sentimento que o filme consegue se aproximar do que queria. É desolador ver a reação das pessoas quando elas veem um negro no picadeiro, como elas acham engraçado o fato de ele ser humilhado de várias maneiras e como ele segue sem perceber isso.

Pena que nem mesmo essa boa intenção consiga resistir muito tempo aos clichês estilísticos do diretor árabe. Flashbacks da infância de Padilha, uma reconstrução apurada da época que precisa ser exaltada a todo instante, a trilha sonora e muitas repetições fazem com que o filme assuma uma posição de filme pipoca, que está mais interessado em ganhar dinheiro fácil do que qualquer outra coisa.

Mas não é um filme ruim, e também não chega a ser bom. Tem boas atuações, como as da dupla central Sy e Thierrée, e consegue, de alguma maneira, fazer pensar na questão do preconceito e na sempre possível libertação com a percepção da realidade. Do mesmo jeito que essa noção vai crescendo com Chocolate, ela pode acontecer com o espectador. Mas só aqueles que tiverem a boa vontade que quebrar o exagerado e asséptico embelezamento do filme.

Um Grande Momento:
“Viu como também funciona?”

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