(Chico – Artista Brasileiro, BRA, 2015)

Documentário
Direção: Miguel Faria Jr.
Roteiro: Miguel Faria Jr., Diana Vasconcellos
Duração: 110 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Chico Buarque é uma personalidade brasileira. Com mais de 50 anos de carreira, esse compositor, escritor e dramaturgo destaca-se pela pertinência e sensibilidade de sua obra. Nada mais justo do que um documentário para contar sua história. Esse é o caminho de Chico – Artista Brasileiro, dirigido por Miguel Faria Jr.

Com histórias familiares e momentos marcantes, depoimentos de arquivo que se mesclam com uma entrevista com o personagem principal, leituras de textos literários e algumas canções, o diretor opta por uma estrutura tradicional e quadrada demais.

Porém, é muito divertido ver Chico contando a história de sua vida através de pequenos acontecimentos, sem conseguir controlar o riso. A recuperação de boas entrevistas sobre ou com o artista também enriquecem o material.

Claro que muita coisa que é contada ali já é conhecida pelos que assistem ao filme, principalmente os fãs de Chico, mas o que se destaca no documentário é ver como o autor enxerga cada um desses acontecimentos, como ele sente aquilo tudo que viveu e vivenciou em seu percurso. À vontade, em sua casa, essas lembranças, projeções, avaliações e divagações sobre a arte de criar ganham uma vida que transcende o filme.

Como cinema, o documentário deixa a desejar. Ainda que não traga nada de novo, há até uma boa mesclagem da entrevista com imagens de arquivo, principalmente quando se trata da ditadura militar, mas a escolha por um formato que intercala a história com apresentações musicais é por demais antiquada e batida. A opção por um cenário único onde acontecem todas as interpretações não ajuda muito e acaba dando ao filme uma aura de show musical televisivo, desses que vemos por aí.

Algumas coisas também aparecem deslocadas, pouco naturais, como as leituras de trechos literários, a duração da viagem à Alemanha e a abertura das participações musicais com a cantora portuguesa de fado Carminho, única interprete que aparece mais de uma vez no filme.

Nos momentos musicais, porém, algumas preciosidades se revelam, como a participação de Ney Matogrosso e o dueto entre Mat’nália e Adriana Calcanhotto. E tem Chico Buarque, com sua história e suas músicas, o que é coisa até demais.

Imperdíveis para os fãs do cantor. Indicado para todo o resto.

Um Grande Momento:
Falando sobre a memória.

Chico-artista-brasileiro_poster

Links

[Festival do Rio 2015]