(Chamada a Cobrar, BRA/2012)

Drama
Direção: Anna Muylaert
Elenco: Bete Dorgam, Cida Almeida, Maria Manoela, Lourenço Mutarelli, Pierre Santos, Tatiana Thomé
Roteiro: Anna Muylaert
Duração: 72 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

O golpe é antigo e conhecido, o telefone toca e alguém do outro lado da linha diz ter sequestrado, geralmente, o filho ou filha de quem atende a ligação. Alguns minutos de conversa e a habilidade do golpista em arrancar informações pessoais da vítima ajudam no sucesso do falso sequestro.

Baseando-se em fatos reais, a diretora e roteirista Ana Muylaert criou Chamada a Cobrar originalmente para a TV. O projeto passou por mudanças até se transformar no longa metragem protagonizado por Clara, uma mãe zelosa e controladora que, ao acreditar que a filha caçula foi sequestrada, começa a atender todas as exigências feitas pelo suposto sequestrador na esperança de que ela seja libertada.

Chamada a Cobrar é um filme irregular que derrapa quando os diálogos entre Clara e o golpista começam a ganhar contornos de crítica social. A discussão sobre desigualdades sociais é válida, mas o problema é a maneira como isto é inserido no filme, sem naturalidade e artificial, destoando dos momentos de tensão.

De qualquer forma, o filme tem alguns méritos. O maior deles é o de envolver o espectador. O comportamento muitas vezes ingênuo da protagonista, que não percebe que se trata de um golpe mesmo durante as situações contraditórias ou incabíveis, mexe com os sentimentos da audiência.

Outro ponto positivo são as atuações de Bete Dorgam e Pierre Santos, este último é a pessoa do outro lado da linha, o golpista que manipula Clara. Mesmo quase não aparecendo na tela, a sua atuação é eficiente.

Mas a produção acaba tendo mais erros do que acertos. O roteiro tem problemas no desenvolvimento dos personagens e o desfecho da história é insosso. Aliás, a parte final da história deixa bem a desejar se compararmos com o clima de tensão criado.

No final das contas, Chamada a Cobrar é mais um daqueles filmes em que uma boa ideia no papel acaba sendo desperdiçada pela má execução.

Um Grande Momento:

Ligando do telefone público.

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