(Cesare Deve Morire, ITA, 2012)

Drama
Direção: Paolo Taviani, Vittorio Taviani
Elenco: Cosimo Rega, Salvatore Striano, Giovanni Arcuri, Antonio Frasca, Juan Dario Bonetti, Vincenzo Gallo, Rosario Majorana, Francesco De Masi, Gennaro Solito, Vittorio Parrella
Roteiro: William Shakespeare, Paolo Taviani, Vittorio Taviani
Duração: 76 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Há 50 anos os irmãos Paolo e Vittorio Taviani apresentavam seus primeiro longa-metragem, Uno uomo da bruciare, co-dirigido por Valentino Orsini, sobre um homem que retorna à sua terra natal e tem problemas com a máfia. Cinco anos depois, assumiam sozinhos a direção em Os Subversivos e começavam uma parceria que daria muitos frutos. Foram oito anos até chamarem a atenção do resto do mundo com o drama Pai Patrão, que lhes rendeu a palma de ouro e o prêmio da crítica em Cannes e o grande prêmio do Festival de Berlim.

Com uma filmografia equilibrada, não isenta de alguns maus momentos e outros memoráveis como A Noite de São Lourenço, Aconteceu na Primavera e Kaos, os irmãos vinham apresentando algum desgaste nos últimos tempos, mas resolveram ousar e investir em uma nova ideia, o docudrama Cesar Deve Morrer. Deu certo.

Filmado dentro do presídio de segurança máxima Rebibbia, em Roma, o filme conta a história da encenação da peça “Julio Cesar”, de William Shakespeare, por um grupo de detentos com pouca ou nenhuma experiência teatral. A escolha de uma peça com tantas referências à vida real daqueles que a interpretariam, o afinco que cada um daqueles homens demonstra ao construir seus personagens e a possibilidade de uma revisitação e reavaliação de suas culpas através da arte constroem um ambiente arrebatador e aproximam o espectador de maneira impressionante.

Momentos como o da audição, quando cada um diz o seu nome e seu endereço de duas maneiras diferentes enquanto conhecemos os motivos por que estão encarcerados, e o retorno às celas após a apresentação são simples e extremamente poéticos.

O grupo de atores iniciantes reunido também impressiona pela dedicação e capacidade de imersão em cada uma de seus personagens, seja ao revelar suas vidas ou ao criar uma realidade que pode ser próxima, mas não é a sua. Ao viverem a dupla antagonista no texto de Shakespeare, Giovanni Arcuri como Cesar e Cosimo Rega como Cassio se destacam. Outro que chama atenção, tanto por sua história quanto por sua atuação, é Salvatore Striano, que dá vida a Brutus. Striano é hoje ator profissional, mas realmente começou a atuar dentro da prisão. Seus crimes foram perdoados em 2006, quando obteve sua liberdade e iniciou sua carreira. Interessado no projeto, voltou ao presídio apenas para interpretar.

Com poucos recursos de arte, apostando apenas na fotografia precisa de Simone Zampagni e na intensidade dramática dos atores, os Taviani e seu montador Roberto Perpignani acertam ao introduzir e encerrar sua história da mesma maneira, dando valores diferentes à mesma cena.

Depois de 50 anos de estrada, fica a vitalidade dessa dupla de realizadores e uma experiência interessante para o público, onde a modificação pela arte é o personagem principal. Imperdível!

Um Grande Momento

“Desde que eu conheci a arte essa cela se transformou numa prisão.”

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