(Casa Grande, BRA, 2014)

Drama
Direção: Fellipe Barbosa
Elenco: Thales Cavalcanti, Marcello Novaes, Suzana Pires, Alice Melo, Bruna Amaya, Clarissa Pinheiro
Roteiro: Fellipe Barbosa, Karen Sztajnberg
Duração: 115 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Se você ainda pensa que o cinema nacional além da comédia só está preocupado em mostrar a pobreza e as favelas, já está na hora de voltar aos cinemas e conferir as novas produções brasileiras. Casa Grande, por exemplo, vai por um lado completamente diferente desse.

Depois de entrar na vida dos personagens com um passeio pela enorme casa após um banho de ofurô, conhecemos mais sobre a vida daquelas pessoas que vivem uma realidade muito diferente da maioria da população.

O chefe da família é Hugo. Em uma boa atuação de Marcello Novaes (Desenrola), é ele quem nos leva para dentro da história. Sem trabalhar há algum tempo, ganha dinheiro investindo e dando consultorias no mercado financeiro. Sua mulher, Sônia, vivida por Suzana Pires (Loucas pra Casar), queria ser francesa, se preocupa mais com a aparência e a opinião alheia do que com qualquer outra coisa. O casal tem dois filhos. Jean, mais velho, vivido por Thales Cavalcanti, estuda no tradicional e caro Colégio São Bento; e a mais nova Natalie, Alice Melo, nunca tem muita atenção da família, e pouco sabemos dela.

Preconceito social e machismo estão presentes por todo o filme. O incômodo daquelas personagens ao realizar a perda das vantagens e regalias é completamente crível. Em um país onde a desigualdade social é tão absurda e uma espécie de viseira faz com que isso seja desconhecido por muitos, é imprescindível que mais filmes como sejam produzidos.

A diferença que existe no exterior, está reproduzida dentro do interior. Relações de afeto corrompidas, substituições de funções, crenças fundamentadas na ignorância e um medo latente de que haja uma aproximação ou mudança do status quo. Tudo frente a olhos que se recusam a enxergar.

Com a mensagem forte e pertinente, o filme segue muito bem e, talvez, só se atrapalhe quando quer ser explícito demais, em uma cena de embate, onde posicionamentos políticos e sociais são revelados e as atuações acabam se perdendo na exaltação.

Mas nada diminui a força e o interesse despertado pelo projeto de Felipe Barbosa (Laura). Um bom motivo para parar e pensar, além de ser um boa experiência para aqueles que já acompanham a evolução do cinema nacional, e uma quase obrigação para aqueles que não o conhecem.

Um Grande Momento:
Fotos.

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