Carlos Alberto Mattos é jornalista, escritor, pesquisador e crítico de cinema.  Atualmente, mantém o blog Rastros de Carmattos e é redator na revista Filme Cultura.

Crítico de cinema desde 1978, escreveu para a Tribuna da Imprensa, IstoÉ, O Pasquim, Jornal do Brasil, Estadão, O Globo, site NO e editou o blog – DocBlog, sobre a produção de documentários. Foi presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro e participou do júri da crítica nos festivais de Veneza, Berlim, Moscou e Amsterdã, entre outros.

É autor dos livros “Walter Lima Junior: Viver Cinema”, “Eduardo Coutinho – O homem que caiu na real”, e de títulos para a Coleção Aplauso:”Carla Camurati: Luz Natural”; “Jorge Bodanzky: O Homem com a Câmera”;”Maurice Capovilla: A Imagem Crítica”.

Carlos gentilmente cedeu uma entrevista, contando sua relação com a arte cinematográfica.

Cenas de Cinema – Como o cinema entrou em sua vida?

Carlos A Mattos – Através da cinefilia, desde criança. Quando cursei Jornalismo, comecei a escrever sobre cinema e, sem perceber, tornei-me um crítico principiante.

Cenas – Quais são as características de um bom critico de cinema?

Mattos – A função do crítico é mediar o cinema com o seu público, estimulando no segundo o gosto pelo primeiro. O crítico deve transmitir informações capazes de levar o público a formar sua própria opinião sobre o filme; deve analisar aspectos relevantes da obra, acenando não com uma verdade, mas com uma opinião abalizada. É um espectador atento e dedicado, conhecedor das tendências do mercado mas sem a elas se submeter. O crítico deve denunciar as fraudes do mau cinema e preservar o espaço dos filmes de qualidade.
O crítico ideal, se isso existisse, deveria gostar muito de cinema; ser culto e bem informado; não ter preconceitos sobre gêneros, estilos etc; ter em perspectiva o tipo de público a quem se dirige; ter um bom texto – claro, correto e criativo; estar pronto para trocar a mídia impressa por outras mídias.

Cenas – Temos escutado muito o termo filme intimista em diversas criticas O que é, para o senhor, um filme intimista?

Mattos – É um filme que privilegia o contato entre pessoas, as sutilezas dos relacionamentos, em vez da ação e do drama exacerbado. É como música de câmera em oposição à música de orquestra.

Cenas – Recentemente há muitas adaptações de HQS no cinema. Como o senhor vê estas adaptações?

Mattos – São interessantes quando estimulam o cinema a descobrir novas formas gráficas, estéticas e narrativas. Mas a maioria privilegia apenas a ação, e sempre vão ficar aquem da graça específica dos quadrinhos.

Cenas – Se o senhor fosse da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, e coubesse ao senhor escolher, a quem daria o Oscar honorário?

Mattos – Ao iraniano Abbas Kiarostami.

Cenas – Qual é o seu ator, atriz, diretor e filme favoritos?

Mattos – Filme: Oito e Meio, de Fellini. Diretor: Charles Chaplin. Atriz: Meryl Streep e Fernanda Montenegro. Ator: Daniel Day-Lewis

Cenas – Como o senhor vê o cinema nacional?

Mattos – A pergunta é ampla demais. Sou um entusiasta dos bons filmes de qualquer latitude. No cinema brasileiro, tenho apreciado muito os documentários.

Cenas – Que definição e qual função têm o crítico hoje em dia? Como o senhor avaliaria a crítica de
cinema no Brasil?

Mattos – A crítica vem se renovando sobretudo na internet. Parte da reflexão pesada de antes fica agora com as universidades e os grupos de estudos de cinema, mas existem ótimos críticos na mídia impressa, como Luiz Zanin Oricchio, José Geraldo Couto, Ricardo Calil, Pedro Butcher e Amir Labaki.

Cenas – Qual é o melhor Cinema do mundo?

Mattos – O cinema que lida com gente e idéias, venha de onde vier.