(Noordzee, Texas, BEL, 2011)

Drama
Direção: Bavo Defurne
Elenco: Jelle Florizoone, Nina Marie Kortekaas, Mathias Vergels, Ben Van den Heuvel, Eva van der Gucht, Thomas Coumans, Katelijne Damen, Nathan Naenen, Noor Ben Taouet, Luk Wyns
Roteiro: André Sollie (romance), Bavo Defurne, Yves Verbraeken
Duração: 95 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Pim é um jovem solitário que, com uma mãe despreocupada e ausente, precisa aprender a se virar sozinho desde muito cedo, seja para sobreviver ou para compreender os sentimentos que tem dentro si. Colecionador de pequenas relíquias do dia a dia, ele constrói um universo particular em uma caixa onde tenta inventar a inexistente presença da mãe e deixar marcados momentos vividos no ímpeto de seus hormônios adolescentes.

A delicadeza das primeiras cenas, seja no parque de diversão ou no quarto da mãe, já conquistam o espectador de cara. O cuidado com a iluminação e as cores, assim como toda a direção de arte, e a ternura da presença do pequeno Ben Van den Heuvel na tela são suficientes para que a ternura se instale e a ligação com aquele personagem aconteça sem maiores dificuldades.

Conhecendo e já se afeiçoando ao tímido Pim e a seus amigos mais próximos, uma vizinha com um casal de filhos, somos apresentados, de uma maneira mais incisiva do que precisava à relapsa mãe do menino. Além de outros personagens lembrarem o tempo todo de sua pouca competência como mãe, o diretor aposta em cenas dela bêbada no bar onde Pim a espera terminar de trabalhar, alimentos caindo dentro dos armários, garrafas de bebida espalhadas pela casa e despedidas sem nenhuma preocupação com a criança/adolescente. Mesmo que a mensagem já tenha sido entendida, ela é repetida durante todo o período de duração do longa.

Por incrível que pareça, todo o cuidado de Defurne com o visual consegue diminuir essa primeira sensação de estranheza – na direção de fotografia ele conta com Anton Mertens e no desenho de produção com Kurt Rigolle – e faz com que a atenção acabe focada na história de amor secreta vivida pelo protagonista e por seu vizinho Gino e na paixão sem futuro da jovem Sabrina.

Se o apuro estético ou ternura da história contada escondem o problema no início, com o tempo isso vai perdendo a eficiência e os defeitos ficam cada vez mais claros. Ainda que alguns bons momentos estejam espalhados por todo o roteiro, a sensação que fica é a de que alguma coisa se perde após a primeira parte do filme e, a partir de então, o que se vê na tela é uma montagem desequilibrada de situações, sem muita preocupação com um fio condutor e com cara de curta-metragem dilatado.

Há muita repetição, cenas que só servem como pleonasmos, como quando a vizinha Marcela interrompe uma conversa com a filha deixando claro tudo o que precisava ser dito e, momentos depois, estimula um aperto de mãos para dizer exatamente a mesma coisa. Perde-se tempo falando ou mostrando as mesmas coisas, enquanto esse período poderia servir para explorar histórias deixadas de lado. A relação de Ivette e Pim é um bom exemplo e a força da única conversa que ambos realmente têm na cozinha demonstra isso muito claramente. Outras histórias carecem também desse aprofundamento, o que torna o desfecho delas forçado e pouco crível.

Ainda assim, o filme vale pelas excelentes atuações de Jelle Florizoone como Pim, Nina Marie Kortekaas como Sabrina, Eva van der Gucht como Yvette e Katelijne Damen como Marcela, pela história bonitinha e pela delicadeza de suas cenas, minuciosamente pensadas. O jogo de cores proposto desde os primeiros momentos também é sensacional.

Como primeiro longa-metragem de Bavo Defurne, Caminho das Dunas deixa expostas algumas tendências de alguém que vem fazendo curtas há muito tempo e precisa se acostumar com a nova duração e as obrigações que vêm com ela, mas com muito para contar e potencial para fazer isso de uma maneira ainda mais interessante.

Um Grande Momento

Disputando Zoltan.

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