(Camille Claudel, 1915, FRA, 2013)

Drama
Direção: Bruno Dumont
Elenco: Juliette Binoche, Jean-Luc Vincent, Emmanuel Kauffman, Marion Keller, Robert Leroy, Armelle Leroy-Rolland
Roteiro: Bruno Dumont
Duração: 95 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Revisar a biografia da artista plástica Camille Claudel é mergulhar em uma história de vida dolorosa, onde o talento deu lugar ao sofrimento, à incompreensão, à solidão e à loucura. A artista que ainda jovem deixou a casa dos pais para ir em busca do seu sonho, logo conseguiu chamar a atenção de grandes escultores da época, inclusive Auguste Rodin, que a convidou para trabalhar como aprendiz e, em seguida, como sua assistente. Porém, a relação do casal foi além do plano profissional e os dois se tornaram amantes. O fim do conflituoso relacionamento de quinze anos fez com que ela se afundasse em uma crise nervosa, que culminou na sua internação em um manicômio.

Parte da vida da escultora já fora contada no filme Camille Claudel, de 1988, dirigido por Bruno Nuytten, com Gérard Depardieu como Rodin e Isabelle Adjani, em uma marcante atuação, como Camille. Ainda que completamente diferente, o filme de Bruno Dumont continua a história da escultora e, ao retratar um ano de sua vida, expõe um período pouco citado de sua biografia, a internação no hospício onde ela ficou por 30 anos, até sua morte em 1943.

Camille Claudel, 1915 pode ser resumido em um nome: Juliette Binoche. Presente em quase todas as cenas do longa, seu retrato da artista plástica durante o período em que ela foi afastada do que e de quem ama é visceral. Binoche consegue dar a dimensão do sofrimento contido através de gestos comedidos, porém carregados de uma intensidade que nos angustia e sufoca.

A reconstrução do lugar onde Camille passou suas últimas décadas de vida é vital para que o diretor transmita ao espectador a sensação de deslocamento que a acompanha ao longo de todo filme. São ambientes claros, frios, vazios e impessoais, além de contar a presença de doentes mentais reais em cena. Para completar o quadro, Dumont opta por planos fechados no rosto de Binoche, que proporcionam um mergulho na alma partida e sem esperança da artista.

Inspirado na troca de cartas entre Camille e seu irmão, Paul Claudel, o roteiro do filme contextualiza bem os costumes e os pensamentos da época. A questão religiosa não fica de fora da história e é em Paul que o discurso moralista se concentra, dando a entender alguns dos motivos que levaram a família da escultora a optar por sua permanência no hospício.

Sensível, porém difícil de ser assistido, Camille Claudel, 1915 é um duro retrato da solidão e desesperança de uma mulher que desafiou os valores morais de uma época em nome da paixão e acabou pagando com a sua sanidade.

Um Grande Momento:
Assistindo ao ensaio de uma peça.

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