(Califórnia, BRA, 2015)

Drama
Direção: Marina Person
Elenco: Clara Gallo, Caio Horowicz, Caio Blat, Giovanni Gallo, Letícia Fagnani, Livia Gijon, Virginia Cavendish, Paulo Miklos, Gilda Nomacce, Nathalia Magalhães Vicentim, Isabella Scherer, Amanda Chaptiska
Roteiro: Marina Person, Francisco Guarnieri, Mariana Veríssimo
Duração: 90 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

É tão bom assistir a um filme que te remeta a um lugar do passado do qual você se lembra com muito carinho. Assim é Califórnia, primeiro longa de ficção dirigido por Marina Person. Ao voltar aos anos 80, busca na nostalgia de seu público sua maior força.

O filme conta a história de Estela, ou Teca, uma menina comum que, como outras adolescentes, está apaixonada, doida para se descobrir sexualmente e tem o sonho de ir visitar seu tio que mora na Califórnia, onde trabalha escrevendo matérias para uma revista sobre música.

Ao reencontrar vários elementos que marcaram o período, o espectador percebe as diferenças nas relações familiares, onde falar as coisas com um tio talvez fosse muito mais fácil do que com os próprios pais; o trato social, onde pessoas de gostos diferentes acabavam sempre nos mesmos lugares; e o ambiente escolar, bastante diferente do de hoje em dia.

Além de abordar o modo mais ingênuo e desinformado com que se vivia a vida lá atrás, de uma maneira menos politizada e cercada de preconceitos pelo desconhecimento. O país deixava de viver uma ditadura e queria reencontrar a democracia, mas isso não é tão valorizado por Teca ou seus amigos da escola, mais preocupados em viver a própria adolescência.

Outro ponto que demonstra isso é a reação à AIDS, que chegou de surpresa, causando medo e uma proliferação de conceitos equivocadamente difundidos até hoje. Embora lá existisse o medo pelo desconhecimento, algo que não existe mais hoje em dia, mas isso é outra história.

Há em Califórnia muitos elementos e lembranças que só falarão tão alto àqueles que viveram a época. Mas, com uma história bonitinha de autoconhecimento e descobertas, em uma fase onde os hormônios comandam do mesmo jeito e sem ligar para a década em que se vive, o filme não se restringe aos quarentões de hoje em dia. Também funciona muito bem com o público juvenil atual.

O elenco, composto em sua quase maioria por jovens, é bastante irregular, embora Claro Gallo esteja muito bem como Teca e Caio Horowicz também funcione como o gótico esquisitão de poucos amigos que chegou na escola no meio do ano. Na parte adulta, boas participações de Virgínia Cavendish como a mãe, Paulo Miklos como o pai quadradão – imaginem como isso é divertido -, Caio Blat como o tio que mora na Califórnia e Gilda Nomacce, maravilhosa como a empregada doméstica da família.

Outra joia escondida em Califórnia é a trilha sonora recheada de músicas fundamentais para aquela geração e muitas que estão aí fazendo sucesso até hoje. Além da referência constante a David Bowie e algumas de suas músicas, tem Joy Division, New Order, Siouxsie and the Banshees, Cocteau Twins e um bocado de The Cure. Na parte nacional, Metrô, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Lulu Santos, Titãs e Blitz.

O roteiro, escrito pela diretora juntamente com Francisco Guarnieri e Mariana Veríssimo, tem lá seus problemas, assim como a direção de arte, que se lembrou de tudo, mas não teve coragem de exigir de todo elenco os cabelos usados na época. E todo mundo sabe como esses cabelos eram importantes para essa determinação temporal.

Mas são detalhes que acabam menos importantes diante do desenvolvimento da trama e, principalmente, dessa nostalgia que o filme traz para dentro da gente. Um filme gostoso de se ver, fácil de se envolver e simplesmente delicioso para o pessoal que tem lá seus quarenta e alguns anos.

Um Grande Momento:
A simpatia.

Califórnia

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