(Blair Witch, EUA, 2016)
Terror
Direção: Adam Wingard
Elenco: James Allen McCune, Callie Hernandez, Corbin Reid, Brandon Scott, Wes Robinson, Valorie Curry
Roteiro: Simon Barrett
Duração: 89 min.
Nota: 4 ★★★★☆☆☆☆☆☆

Em 1999 chegava aos cinemas A Bruxa de Blair, o filme que contava a história de três estudantes de cinema que desapareceram na floresta próxima a Burkittsville, em Maryland, enquanto filmavam um documentário sobre a lenda local de uma bruxa. o longa-metragem causou frisson à época pela linguagem escolhida: o found footage. Em formato de pseudodocumentário, os próprios atores eram os responsáveis pela captação das imagens, depois de aprenderem a manusear as câmeras. O filme teria sido composto com imagens armazenadas nessas câmeras encontradas depois do desaparecimento dos personagens, daí o nome found footage.

O problema é que a linguagem virou uma espécie de mania, principalmente em filmes de terror. Usado de várias maneiras, somente em algumas delas – muito poucas – funcionou como deveria. Mas o sucesso de A Bruxa de Blair não será nunca ignorado, já que o filme custou 35 mil dólares e lucrou milhões logo na primeira semana de exibição, e dá-lhe tentativas de um novo acerto. Fora filmes similares que usavam a linguagem, uma franquia da história tentou ser criada, o que resultou no filme Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras, em 2000, e no telefilme Shadow of the Blair Witch, do mesmo ano, sem chegar nem perto de alcançar o mesmo sucesso.

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A história, abandonada em seguida, porém, volta agora aos cinemas com uma continuação. Depois de 17 anos, Bruxa de Blair conta a história do irmão de Heather, uma das desaparecidas do primeiro filme. Inconformado com o sumiço da irmã e o mistério em torno da história, ele pensa ter encontrado pistas com a filmagem de um nativo do local. Junto com alguns amigos, entre eles uma documentarista, James volta a Burkittsville em busca da irmã desaparecida.

Com muito mais tecnologia, o diretor Adam Wingard aposta em novos meios de captação. Minúsculas câmeras auriculares, um drone e uma câmera digital passam a ser responsáveis pelas imagens que serão encontradas posteriormente, como o card inicial do filme anuncia. Porém, nem todo aparato tecnológico é capaz de suprimir a maior lacuna do roteiro: não há uma história suficientemente interessante para ser trabalhada.

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Assim, Bruxa de Blair é um apanhado de sequências insignificantes, como a da boate, que não acrescenta absolutamente nada ao produto final. Não há nenhuma preocupação em criar um vínculo com qualquer um dos protagonistas que, para complicar ainda mais, carecem de algo fundamental em qualquer produção do gênero, carisma.

Depois de muitas cenas com quase nenhum significado, outras gratuitas que tentam amarrar pontas irrelevantes e aquela insistência em criar um clima de suspense que não se concretiza, o filme chega à metade muito mais cansativo do que interessante. A situação só melhora no terço final, quando efetivamente alguma coisa acontece e o diretor consegue imprimir o ritmo frenético e o suspense necessário para o filme funcionar.

Mas já é tarde demais e a sensação de que o novo Bruxa de Blair poderia ser um curta-metragem muito interessante sai da sala do cinema com o espectador.

Um Grande Momento:
Dentro da casa.

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