(BR 716, BRA, 2016)
Drama
Direção: Domingos de Oliveira
Elenco: Caio Blat, Sophie Charlotte, Gabriel Antunes, Álamo Facó, Maria Ribeiro, Glauce Guima, Matheus Souza, Pedro Cardoso, Sergio Guizé, Aleta Valente, Lívia de Bueno, Daniel Dantas
Roteiro: Domingos de Oliveira
Duração: 85 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

BR 716 exala nostalgia. É o resgate de um tempo, da juventude, da História e até mesmo da filmografia do diretor Domingos de Oliveira, que apresenta aqui um filme pessoal, como de costume, mas ainda mais sensível e relevante, e o faz com muita leveza e descontração.

O nome refere-se a um luxuoso apartamento na Avenida Barata Ribeiro, em Copacabana. Seu proprietário é Felipe, um jovem que acabou de se separar – a mulher o trocou por seu melhor amigo – e que aspira ser roteirista. Em pleno 1963, sua vida se resume a festas regadas a muita bebida e a adoração pelas mulheres.

Logo no começo o público é informado que não verá fatos verídicos, mas impressões. Lampejos de memória que a quantidade de bebida não permite serem exatos. Não se sabe com certeza até que ponto são recordações reais ou invenções que, com o tempo, tornam-se verdadeiras.

Caio Blat vive o alterego do diretor, o que fica claro pela tentativa constante e desnecessária de imitar a voz de Domingos, e narra a história dividida em duas partes: o presente, no encontro com o velho amigo, em cores; o passado, com o apartamento, em preto e branco.

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Enquanto no passado, o filme remete muitas vezes a nouvelle vague em sua estética e está cheio de cenas visualmente belas, graças à direção de fotografia dos estreantes Luca Pougy e Felipe Roque. E há ainda um quê do próprio Domingos, que leva o espectador de volta a dois grandes títulos do realizador: Todas as Mulheres do Mundo e Edu, Coração de Ouro.

O filme ainda conta com uma trilha sonora fina, que conta com as músicas Perfídia e até uma versão de Amado Mio, entre outras. Além de Blat, completam o elenco nomes como Sophie Charlotte, Álamo Facó, Maria Ribeiro, Pedro Cardoso, Sergio Guizé e Daniel Dantas.

Afetuoso, mas ainda assim incisivo, BR 716 é o retrato da juventude daquele tempo, o retrado de um Rio de Janeiro que já não existe mais. Entre diálogos e longas divagações, outra marca registrada do cinema do diretor, explicita-se um trajeto interrompido por algo que estava fora do alcance daquelas pessoas.

Sim, há política em BR 716. Há muita. Aquela política que talvez tenha faltado no Domingos de lá, mas aqui está mais presente do que nunca. A venda iminente daquele apartamento na Barata Ribeiro representa o fim de toda a liberdade.

Um Grande Momento:
Vendo Gilda pela primeira vez.

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