(Bornholmer Straße, ALE, 2014)

Comédia
Direção: Christian Schwochow
Elenco: Charly Hübner, Milan Peschel, Ulrich Matthes, Rainer Bock, Frederick Lau, Ludwig Trepte, Ursula Werner
Roteiro: Gerhard Haase-Hindenberg (livro), Heide Schwochow, Rainer Schwochow
Duração: 88 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Durante o ano, a Embaixada da Alemanha promove ciclos de cinema, com filmes alemães sobre temas variados. Bornholmer Straße encerrou ontem (26/11) o ciclo sobre a reunificação alemã. O telefilme, baseado nas consequências de um estabanado anúncio, consegue ser leve, divertido, mas sem deixar de ser tenso.

Para começar, o diretor Christian Schwochow demonstra a seriedade e o exagero com que um grupo de soldados de fronteira cuida da passagem pela rua de Bornholmer, acesso entre as Alemanhas Oriental e Ocidental em Berlim, com a chegada de um cachorrinho fofo, tratada como uma tentativa de cruzamento ilegal. Claro que todos se derretem com o bichano e ele vira piada dentro do próprio posto.

É nesse mesmo dia que o porta-voz da Alemanha Oriental, Günter Schabowski, em uma entrevista atrapalhada diz que as fronteiras seriam abertas, sem necessidade de visto ou de qualquer documento. Quando perguntado qual era a data prevista, ele afirmou “pelo que sei, imediatamente… sem demora”. Pode parecer ficcional, mas essa passagem aconteceu de verdade, e a gravação mostrada no filme é real.

Obviamente, na mesma hora, vários alemães da antiga RDA encaminharam-se para a fronteira em Bornholmer Straße para passar para conhecer o país vizinho onde eram proibidos de ir. O filme deixa bem clara a questão da restrição da locomoção de sua população para a manutenção do regime, seja na postura dos soldados, seja nas manifestações populares na porta da fronteira.

Ainda que tratando de um tema tenso e um acontecimento histórico relevante – foi isso que antecipou a queda do muro de Berlim, o filme assume o tom do humor para contar sua história. O desespero do comandante do lugar pela ausência de ordens enquanto a multidão se acumula lá fora é divertidíssima, assim como a comemoração quando uma ordem chega.

Durante todo o período de ausência de instruções, os oficiais do local se reúnem para tentar chegar a alguma solução e vários acontecimentos engraçados tomam conta da trama. O roubo constante do biscoito e seu dono histérico, que já está apegado ao cachorrinho do começo do filme; a dor de barriga sem tréguas do comandante; a insistência no posicionamento de Lilli, uma arma de longo alcance; a superproteção de a mãe de um deles, que é a cozinheira do local.

Além dos momentos divertidos, Bornholmer Straße tem a seu favor um elenco afiado, com bom timing de humor e que sabe lidar bem até mesmo com um certo exagero no tempo de algumas situações cômicas no roteiro.

Entre risadas, o filme vai atrás de questões como o engessamento das pessoas em situações de repressão e hierarquia, e do sentimento de nação de um modo muito interessante, porém exagera na tentativa de ser tocante no final e é por várias vezes superficial demais. Há também um certo problema com o ritmo da trama, principalmente depois do meio do longa

Porém, Bornholmer Straße é um filme divertido, que ao relembrar um acontecimento histórico que ocorreu por conta do equívoco de um porta-voz, consegue falar de muitas coisas nem tão alegres assim sem ser pesado ou negativo.

Um Grande Momento:
“Guarde no armário”.

Bornholmer Straße

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