(Boi Neon, BRA, 2015)

Drama
Direção: Gabriel Mascaro
Elenco: Juliano Cazarré, Maeve Jinkings, Josinaldo Alves, Roberto Berindelli, Samya De Lavor, Vinícius de Oliveira, Abigail Pereira, Carlos Pessoa, Alyne Santana
Roteiro: Gabriel Mascaro
Duração: 101 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Se em Ventos de Agosto Gabriel Mascaro (Doméstica) começou a brincar com as contradições, em Boi Neon essa provocação transcende o filme. Em um Nordeste estilizado, o diretor vai buscar determinações anteriores dentro de cada espectador e contradiz memórias, concepções e aquilo que já foi muitas vezes feito anteriormente no cinema nacional.

A contradição está no ambiente, que começa misturando o ambiente de vaquejadas com as cores de tecidos descartados por fábricas de tecido do local, e nos próprios personagens. O peão Iremar, vivido pelo ator Juliano Cazarré (Serra Pelada), trabalha preparando os bois para vaquejada, mas tem na costura sua paixão; e Galega, vivida por Maeve Jinkings (O Som ao Redor), a motorista do caminhão que leva a trupe às arenas de vaquejada é uma mulher embrutecida, mas ao mesmo tempo feminina, são bons exemplos disso.

Quebrando preconceitos e paradigmas, o filme humaniza o ambiente e faz com que as diferenças ganhem destaque e pouco a pouco adquiram uma aura natural, mostrando que não há um lugar próprio ou adequado para a diversidade tão comum ao ser humano.

Algumas passagens, porém, podem ser mais apelativas na tentativa de causar algum impacto, mas, funcionais, não são comprometem o resultado final. Embora ainda possam incomodar algumas pessoas.

Com uma fotografia inspirada do mexicano Diego García (Fogo) e uma competente direção de arte de Maira Mesquita (Periscópio), o longa vai se construindo nessa desconstrução de todo um universo e conquista quem o assiste. A vida daquelas pessoas vai se tornando natural em sua crueza e beleza.

O elenco, que mescla atores profissionais com não atores, também acrescenta ao longa, embora algumas irregularidades possam ser percebidas. Cazarré está muito bem como o protagonista e consegue deixar de lado os trejeitos que o acompanham em outras produções.

Um belo filme.

Um Grande Momento:
A mulher cavalo.

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