(Good Night, and Good Luck., EUA/GBR/FRA/JAP, 2005)

Drama
Direção: George Clooney
Elenco: Jeff Daniels, David Strathairn, Tate Donovan, Reed Diamond, Matt Ross, Patricia Clarkson, Robert Downey Jr., George Clooney, Frank Langella
Roteiro: George Clooney, Grant Heslov
Duração: 93 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

” (…) haverá registro para os historiadores daqui a 50 ou 100 anos da decadência, alienação e falta de cobertura da realidade do mundo que vivemos. Somos inclinados a evitar informações desagradáveis e perturbadoras. A nossa mídia reflete esta atitude. Mas, exceto se esquecermos os lucros e reconhecermos que a televisão está sendo usada para desviar a atenção, enganar, entreter e nos isolar, então a TV e os que a patrocinam, assistem e que nela trabalham terão uma visão bem diferente, mas, tarde demais”.

Parte do discurso de Edward Murrow em cerimônia em sua homenagem

Tratando de uma história real, um conflito entre o repórter televisivo da CBS Edward R. Murrow e o senador americano Joseph McCarthy, George Clooney assina a direção e divide o roteiro com Grant Heslov neste drama cult de 2004 totalmente introspectivo.

Ambientado nos Estados Unidos na década de 50, Good luck and good night, título original em inglês, apresenta a narrativa de Edward Murrow, que desejava esclarecer os fatos ao público junto com sua equipe dos estúdios da CBS, em Nova York, e para isso desafiou patrocinadores e a própria emissora ao examinar as táticas teatrais e amedrontadoras de McCarthy.

O senador iniciou uma espécie de caça às bruxas contra qualquer suspeito comunista, já que nas décadas de 40 e 50, os americanos estavam preocupados com esta ameaça, e enviou uma denúncia pública de que mais de 200 comunistas estavam infiltrados no governo. Poucos jornalistas o enfrentaram, com o medo de serem alvos de suas acusações.

Clooney, normalmente visto nas telonas com personagens galanteadores, acerta na direção desta produção que, pela forte narrativa e enredo, pode não agradar a muitos.

Boa Noite e Boa Sorte não foi exibido em muitas salas de cinema. O motivo é que o tema não é do tipo que atrai a atenção do público, acostumado com produções com menos diálogos e mais clichês. Com uma narrativa é complexa e rápida e muitos nomes apresentados a todo o momento, o filme pode confundir e cansar até os espectadores mais atentos.

O longa também não facilita ao contar os pormenores da história, apenas joga a ideia principal e lança outras peças que compõem o enredo, supondo que os espectadores já conheçam o Macartismo. Ao contar fatos verdadeiros, com uma fotografia belíssima e nostálgica em preto e branco e com imagens de arquivo – incluindo as do próprio Joseph McCarthy – nos inclui no contexto.

A opção dos idealizadores pelo peso textual mais do que o comercial pode ter contribuído para a falta de aceitação por parte de muitos, mas o filme faz jus às suas 4 indicações ao Globo de Ouro e 6 ao Oscar de 2006, incluindo a de melhor filme, fotografia e ator, David Strathaim.

Strathaim, que encarna Edward Murrow, está perfeito; elegante e preciso, passa toda a tensão e pressão que o repórter enfrenta. Patricia Clarkson, Ray Wise, Frank Langella, Jeff Daniels, entre outros nomes também contribuem para o bom andamento da trama; além de George Clooney, que parece ter se dedicado mais à direção do que à atuação.

Independente da opção estética e do fato de não agradar a todos os públicos, sem dúvida alguma, o filme é uma grande obra para os amantes do bom cinema, que se tece em situações e argumentos bem fundamentados.

Fica também a mensagem clara que Clooney deixa sobre as dificuldades da liberdade de expressão da mídia na década de 50, e que, por vezes, ainda predomina.

Um Grande Momento

O pronunciamento de McCarthy e a defesa de Murrow.

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