(The Bling Ring, EUA/GBR/FRA/ALE/JPN, 2013)

Drama
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Katie Chang, Israel Broussard, Emma Watson, Claire Julien, Taissa Farmiga, Georgia Rock, Leslie Mann, Carlos Miranda, Gavin Rossdale
Roteiro: Nancy Jo Sales (artigo), Sofia Coppola
Duração: 90 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Bling Ring foi o nome dado a um grupo de jovens da Califórnia que se reunia para invadir casas de celebridades de Hollywood. Em menos de um ano, estima-se que a gangue tenha furtado mais de 3 milhões de dólares em pertences e dinheiro de personalidades como Paris Hiton, cuja casa foi invadida mais de cinco vezes; Audrina Patridge, a primeira a divulgar as imagens da câmera de segurança; Rachel Bilson; Orlando Bloom; Megan Fox e Lindsay Lohan. Sempre preocupado em ostentar o fruto dos furtos e contar vantagens sobre os momentos dentro da casa de famosos, o grupo não demorou a ser denunciado, investigado e preso.

A história acabou virando um artigo de Nancy Jo Sales para a revista Vanity Fair: “The Suspects Wore Louboutins” (Os suspeitos usavam Louboutins – uma marca famosa e cara de sapatos), que instigou Sofia Coppola a fazer um filme sobre eles: Bling Ring – A Gangue de Hollywood.

A diretora não se preocupa em condenar, dar seu parecer ou criar uma experiência com gêneros cinematográficos que envolvam crimes e afins. Sua única intenção é mostrar que isso aconteceu. Ela estampa na tela as ações e deixa para o espectador a análise dos fatos. A experiência não é fácil.

Bling Ring é o retrato de uma juventude perdida. Onde jovens, buscando uma vida de ostentação e brilho, fecham os olhos para qualquer noção de ética e bom senso e tornam-se criminosos. Para eles, além de uma possibilidade de dinheiro fácil, não há qualquer problema em procurar por objetos de desejo em revistas e sites de fofoca, calcular datas de invasão e invadir a casa de outra pessoa para ter aquilo que foi escolhido.

Paradoxalmente, em um mundo de mais acesso à informação, o que sobressai é o esbajamento e a futilidade. Exemplos não são mais pessoas com alguma substância, passaram a ser personalidades egocêntricas e vazias, que muito pouco ou nada têm a dizer para o resto do mundo. O circo que se arma em torno destas pessoas e de qualquer coisa que façam é absurdo e seu glamour passa a ser o objetivo de uma maioria que não consegue enxergar além da boate da esquina, onde vai exibir suas roupas de marca e angariar amigos para o facebook.

É sobre esse culto ao vazio que Sofia Coppola fala sem precisar fazer muito esforço para se posicionar. Contando com boas atuações (com destaque para Israel Broussard e Emma Watson), uma trilha inspirada como sempre e mesmo com algumas opções equivocadas de montagem, a mensagem chega exatamente como o esperado, perturbando aquele que está vendo o filme. Tanto que o incômodo permanece bastante tempo depois dos créditos.

Em uma época de muita permissividade, uma superproteção nociva, pais ausentes e da supervalorização de coisas irrelevantes e mesquinhas, o problema se mostra insolúvel, eterno e cheio de possibilidades de ficar ainda pior. É difícil ter esperanças.

Essa busca sem fim por uma popularidade insignificante não poderia trazer bons resultados. O triste é ver acontecer e, pior, ver essas pessoas tornarem-se ídolos de outras pessoas, mais vazias ainda. Uma cadeia que se degenera mais e mais a cada nível que cresce.

Um Grande Momento:
Solicitações de amizade.

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