(Blind, NOR/NDL, 2014)
Drama
Direção: Eskil Vogt
Direção: Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen, Vera Vitali, Marius Kolbenstvedt, Jacob Young, Stella Kvam Young, Isak Nikolai Møller
Roteiro: Eskil Vogt
Duração: 96 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

Uma mulher vai perdendo a visão e resolve trancar-se dentro do próprio apartamento. Entregue a dias solitários, ela começa a repensar a própria vida e a relação com o marido. Paralelamente ao drama de Ingrid, acompanhamos as histórias de Elin e Einer.

Ele é um homem deslocado socialmente, que passa o dia buscando pornografia na internet e sonha em ter um relacionamento. Ela, também sem amigos, vive em função da filha e se sente sempre fora do lugar, já que fora para Oslo estudar e acabou casando, mas o casamento não deu certo.

Com três personagens extremamente sozinhos, Blind aprofunda-se no sentimento de não pertencimento. Como se em todo esse vasto mundo não houvesse lugar para nenhum deles. Mais do que isso, ao abordar a desconexão dos dias atuais, o longa-metragem faz com que os espectadores identifiquem na tela sentimentos que conhecem fora dela.

Indo um pouco mais além, entre as muitas particularidades humanas retratadas, o filme ainda cativa ao associar a memória à possibilidade de uma vida. Sem essa memória, aquela preconizada pela protagonista no início do filme, o que sobra é o nada. E para esse nada voltar a fazer sentido, novas memórias precisam ser criadas.

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Parece maluco falando desse jeito, mas assim se sente quem assiste ao filme depois de chegar ao segundo ato. O diretor Eskil Vogt, conhecido pelo roteiro do ótimo Oslo, 31 de Agosto, também assina o roteiro Blid e opta por dividir sua história em duas. O início é muito espaçoso, gelado e lento, mas o filma vai ganhando cores e dimensões até chegar a um surrealismo curioso.

A dualidade está no roteiro e na construção audiovisual, que expõe o equilíbrio de Vogt ao trafegar em duas (ou mais) realidades diversas, e porque não dizer, conflitantes. Passagens como a conversa no bar ou a chegada na festa estão tão distantes das cenas no branco e frio apartamento de Ingrid que parecem não fazer parte do mesmo filme. Porém se encaixam perfeitamente. Um trabalho de criação realmente impressionante.

Além do visual, o que se vê na tela parte de um roteiro muito equilibrado e bem distribuído. A ponto de gerar confusão, empatia e navegar entre narrativas. A sutileza com que pequenas dicas são deixadas pelo caminho e o modo como transita entre as realidades chamam a atenção positivamente.

Muito do filme também está na atuação do trio principal. Ellen Dorrit Petersen (Fjellet) vive a cega Ingrid; Vera Vitali (Monica Z), a mãe solteira Elin, e Marius Kolbenstvedt (Brun bitter), o nerd excluído Einar. Tudo de maneira muito simples, sem rompantes ou exageros que poderiam tirar a atenção da história em si.

Blind é um daqueles filmes que merecem ser conhecido por todos. Por sua história, por seu cinema e por tudo aquilo que ele deixa dentro de quem assiste ao filme.

Um Grande Momento:
A conversa no café.

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