(Les Bien-aimés, FRA/GBR/CZE, 2011)

Drama/Musical
Direção: Christophe Honoré
Elenco: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Ludivine Sagnier, Louis Garrel, Milos Forman, Paul Schneider, Radivoje Bukvic, Michel Delpech
Roteiro: Christophe Honoré
Duração: 139 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

O oitavo filme do francês Christophe Honoré volta à fórmula de seu trabalho anterior Canções de Amor ao intercalar a narrativa com momentos musicais. Ele volta a trabalhar com o trio Louis Garrel, Ludivine Sagnier e Chiara Mastroianni e, de quebra, nos brinda com as presenças de Catherine Deneuve e Milos Forman no elenco. Bem Amadas conta a história dos amores de mãe e filha desde os anos sessenta até os anos 2000.

França, década de 60. Praticamente ao acaso, Madeleine (Ludivine Sagnier) torna-se prostituta e vê nisto uma forma de bancar a si mesma e ao seu luxo com roupas e sapatos. Mas ela não esperava se envolver profundamente com o “cliente” Jaromil (Radivoje Bukvic), a ponto de casar e ter uma filha com ele.

Jaromil é um médico tcheco que não apenas tira Madeleine da “vida fácil”, como também a tira de Paris, levando a família ao seu país de origem. Lá, após perceber que se casou com um marido machista e infiel, a ex-prostituta abandona tudo durante a Primavera de Praga e volta a morar na França, onde se casa com um militar chamado François Gouriot (interpretado por Guillaume Denaiffe na juventude).

Mesmo com eventuais puladas de cerca de ambos, a relação segue estável. Até que o objeto de paixão incontrolável de Madeleine, Jaromil, volta e abala tudo novamente. Ele propõe que desta vez eles retomem o relacionamento e morem em Paris. Sem pestanejar, a mocinha faz o que qualquer mulher apaixonada faria, decide jogar tudo para o alto. Porém, as coisas não saem como planejado e sonhado.

Londres, 1997. Véra (Chiara Mastroianni), fruto do relacionamento entre Madeleine e Jaromil (nesta fase da história interpretados por Catherine Deneuve e Milos Forman), está em uma boate londrina na companhia de amigos, entre eles o apaixonado Clément (Louis Garrel), quando se encanta pelo baterista da banda que se apresenta. Após tentar seduzi-lo, Henderson (Paul Schneider) revela ser gay, mas nasce uma paixão platônica por parte de ambos.

Apesar de terem se separados há muitos anos, Jaromil e Madeleine seguem sendo amantes. O marido dela, François (agora interpretado pelo cantor e ator francês Michel Delpech), faz vistas grossas a esta realidade, pois talvez seja esta a única forma de continuar com Madeleine ao seu lado. É assim que o casamento deles funciona. A vida amorosa de Véra não é menos agitada. Convivendo com o assédio de Clément e a relação peculiar com Henderson. Neste ritmo, mãe e filha seguem dividindo a doçura e amargura dos seus amores.

Além de dirigir a produção, Honoré também foi o responsável pelo roteiro. Ele introduz com inteligência os números musicais durante as cenas de tensão da trama. As composições de Alex Beaupain são o que há de melhor no filme e funcionam como extensão dos diálogos. Beaupain é velho parceiro de Christophe Honoré. As músicas de Canções de Amor e Dans Paris, por exemplo, também ficaram a cargo dele. Por sinal, parceria é uma coisa que este diretor francês parece gostar muito de repetir. O ator Louis Garrel e as atrizes Ludivine Sagnier e Chiara Mastroianni têm presença constante nos filmes de Honoré.

Quem chama toda a atenção é Catherine Deneuve, que continua deslumbrante e vendendo elegância, mesmo já tendo passado dos 70 anos. O elenco também traz a participação do diretor Milos Forman como ator. Apesar da difícil missão de encarnar o garanhão da história na idade madura, os momentos que divide com as protagonistas são extremamente divertidos.

Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni não são apenas mãe e filha na ficção. O grau de parentesco também se aplica no mundo real. Pelo sobrenome, não é difícil perceber que Chiara é filha do ator italiano Marcello Mastroianni. Elas acabam não contracenando tanto quando poderiam e deveriam em Bem Amadas. Em um filme tão extenso quanto este é até um pecado nos furtar disto.

A sua duração é provavelmente o grande problema da produção. Acaba por ofuscar grandes passagens, principalmente as musicais, pelo enorme número de cenas que poderiam ser abreviadas. Em determinado ponto, a trama vai ficando cansativa e repetitiva. Além disto, há uma mudança significativa no clima “leve” do filme.

Bem Amadas traz Catherine Deneuve, A Primavera de Praga, o 11 de Setembro, momentos musicais, Paris, Londres, Milos Forman, toda uma história de família e mais alguns outros elementos em 139 minutos de exibição para falar de um tema já batido. Nenhuma das protagonistas vive relacionamentos plenos e sadios com aqueles que elas consideram como sua grande paixão. A impossibilidade de concretização é o combustível necessário para manter-se inebriado. Não pelo outro, mas pelas reações que o sentimento causa nelas.

“Eu posso viver sem ti, sabia? O único problema, meu amor, é que não posso viver sem te amar”.

Um Grande Momento

Musical final de Madeleine.

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