(Beasts of no Nation, EUA, 2015)

Drama
Direção: Cary Joji Fukunaga
Elenco: Abraham Attah, Emmanuel Affadzi, Ama K. Abebrese, Kobina Amissah-Sam, Francis Weddey, Emmanuel Nii Adom Quaye, Zabon Gibson, Idris Elba
Roteiro: Uzodinma Iweala (romance), Cary Joji Fukunaga
Duração: 137 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Baseado no romance homônimo de Uzodinma Iweala, apresentado por ele como tese no curso de escrita criativa em Harvard e lançado comercialmente posteriormente, Beasts of no Nation conta a história de Abu, um jovem obrigado a servir ao exército rebelde de algum país da África. Ainda que a inspiração seja uma obra de ficção, a sombra de uma realidade pouco conhecida e a dureza da história fazem do filme uma experiência pesada.

Produzido pela Netflix, hoje maior plataforma de streaming de vídeo e que tem investido em filmes e seriados próprios, o longa-metragem foi também lançado nos cinemas americanos, por um curto período de tempo, para que pudesse concorrer às premiações de começo de ano, como o Oscar.

O nome escolhido para comandar a história foi Cary Joji Fukunaga, diretor conhecido pela elaboração estética, como no filme Jane Eyre. Aqui, assinando também a direção de fotografia, ele conduz um elenco competente, que conta com vários atores juvenis, e se aproveita das paisagens de Gana e de muitos movimentos de câmera para contar a sua história.

O começo de Beasts of no Nation, apesar de uma narração em off não muito eficiente, é belo ao retratar a infância de Abu, que vive em um vilarejo afastado, ainda não envolvido no conflito armado. Com as aulas suspensas, ele e os amigos precisam arrumar distrações. A televisão imaginária é uma delas.

A realidade muda, porém, depois que o exército invade o local, assassina seu pai e seu irmão mais velho e ele precisa se esconder na floresta. Lá é encontrado por um grupo de rebeldes e, com medo e sozinho, é obrigado a servir como criança-soldado.

É nessa perda da inocência que o filme concentra as suas forças. Contando com uma boa atuação de Abraham Attah como o jovem Abu, vamos testemunhando – com as muitas exposições ao que há de nojento por trás de qualquer guerra – a morte da criança e o nascimento de um ser sem futuro, sem esperanças e quase sem sentimentos.

Parte de um grupo chefiado por um comandante asqueroso, bem vivido pelo ator Idris Elba, que foi indicado pelo trabalho ao SAG Award e ao Globo de Ouro, Abu vira uma espécie de símbolo do descaso de todo o mundo com as disputas absurdas que acontecem no interior da África.

Como disse, a história é pesada, dura e Fukunaga expõe aqui todo o seu sadismo em forma de direção, abusando da violência – com direito a respingo de sangue na câmera – e buscando insistentemente encontrar o quadro perfeito, o contraste ideal, ou alguma espécie de poesia visual que não condiz absolutamente com a história contada. Esta contradição traz um incômodo ineficiente ao filme, que não consegue ser superado.

Nessa dubiedade de sentimentos, percebendo todo o exagero do diretor, resta a quem assiste ao torcer pelo final próximo.

Resistindo à vontade de desligar a televisão, o espectador chega ao final de Beasts of no Nation arrasado, mesmo com o filme tentando recuperar o final da história do romance que o inspirou, na esperança longínqua de que essas crianças possam voltar à infância novamente e ser felizes. Mas as cenas aqui são diferentes daquelas do início do filme e, assim como a realidade, deixam um nó na boca do estômago.

Um Grande Momento:
Vendendo a TV da imaginação.

Beasts of no Nation

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