(The Dark Night, EUA, 2008)

Ação

Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Monique Curnen, Eric Roberts, William Fichtner
Roteiro: Bob Kane (personagem), Christopher Nolan, David S. Goyer, Jonathan Nolan
Duração: 152 min.
Minha nota: 8/10

Agora eu sei que, apesar de odiar idéias como esta, alguma coisa podia me fazer sair da minha casa tarde, enfrentar duas filas enormes, correr para pegar bons lugares e ver um filme que só acabaria às 3 horas da manhã. Era uma das estréias mais concorridas, disputadas e esperadas do ano. Além de trazer o Homem-Morcego em uma de suas melhores histórias em quadrinhos; de uma campanha sensacional de lançamento, com sites e ações espalhadas pelo mundo; ainda tinha em seu elenco Heath Ledger, um dos mais promissores atores da atualidade e que faleceu pouco tempo depois de gravar o filme de overdose acidental de remédios.

Eu sou uma fã inveterada do herói. Daquelas que coleciona revistas, acompanha séries de desenhistas e que, como era de se esperar, assistiu a todos os filmes. E dá para dizer que nenhum deles chegou mais perto do que eu já li do que este.

Gothan City está tomada por vários mafiosos, o crime corre solto e uma polícia corrupta fecha os olhos para tudo isso. Ao mesmo tempo, Harvey Dent se torna uma esperança para a população com suas ações como promotor de justiça, o policial Gordon demonstra que ainda existem agentes limpos e Batman tenta combater o crime, mas agora dividindo opiniões e inspirando vários malucos que querem ajudar o cavaleiro solitário.

E em meio a este descontrole, surge o Curinga para tornar as coisas ainda mais caóticas. Com piadas ácidas, nenhuma moral e cicatrizes horrendas, ele aproveita a vulnerabilidade dos maiores criminosos do local para tomar conta de todo o espaço.

O resultado final é muito bom e conta com um roteiro que soube como distribuir tantos personagens e acontecimentos sem tornar o filme chato e trabalhar a ação e a emoção sem maiores problemas.

Analisar o elenco é uma tarefa difícil, pois é Ledger quem domina o espaço e com uma atuação superior, torna qualquer outra mais fraca e menos dedicada. Não que os outros atores não estejam bem. É ele quem supera todas as expectativas e ainda nos faz ficar muito mais exigentes com os outros.

O destaque, porém, não é um privilégio do jovem ator. Em filmes do Batman essa história se repete e são os vilões que têm mais cores, nuances e acabam chamando mais atenção mesmo. Mas nenhum deles chegou nem perto do que vemos aqui. Muito superior a Jack Nicholson, que interpretou o mesmo papel no primeiro de todos os filmes do herói, Ledger soube como trabalhar toda a insanidade e perversidade do Curinga. Tudo nele tem o jeito do vilão, desde o jeito de andar até o olhar lunático.

No elenco ainda temos Michael Caine, como um irônico Alfred; Gary Oldman, como o dedicado tenente Gordon; Aaron Eckhart, como o carismático e implacável Harvey Dent; Maggie Gyllenhaal, como a dedicada e dividida Rachel; e Morgan Freeman, como o obediente Lucius Fox. Todos muito bem. O Batman é vivido mais uma vez por Christian Bale que, apesar de ser superior aos morcegões anteriores, estava melhor em Batman Begins e, desta vez, não conseguiu transmitir os sentimentos de um milionário exagerado/herói atormentado.

A direção de arte fez bonito. Apesar de ser uma fã da Gothan de Tim Burton, sombria como deve ser, acho que esta versão da mesma cidade caiu como uma luva para a adaptação de Cavaleiro das Trevas. Diferente de outras revistas do herói, esta tem mesmo um tom mais claro e moderno que foi seguido.

A maquiagem merece destaque pela criação de um Curinga bizarro, que faz questão de destacar suas cicatrizes estranhas na bochecha e de um Duas-Caras sinistro, que prefere não fazer nada para recuperar seu rosto destruído em um incêndio.

As únicas coisa que me incomodaram no filme foram o aparato óptico mega-ultra-super-power-plus da nova roupa e uma queda no ritmo logo depois dos acontecimentos mais agitados do filme, mas que não chega a comprometer e que talvez só tenha sido percebida porque já passava das duas da manhã.

Um filme que, apesar de ainda não ser o Batman que eu esperava ver (começo a achar que isso não vai mesmo acontecer), valeu a espera e que, diferente do que eu imaginava, não caiu frente a tanta expectativa criada.

Palmas, palmas e mais palmas para a atuação de Heath Ledger que, com o papel confirmou minhas apostas e vai deixar saudade por todo esse vigor e empolgação na hora de construir seus personagens.

Indicado para fãs de filmes de ação, quadrinhos e afins, mas qualquer um que goste de cinema deveria reservar um tempo para conferir.

Um Grande Momento
O Curinga saindo do hospital.

Logo-Oscar1Oscar 2009
Melhor Ator Coadjuvante (Heath Ledger), Melhor Edição de Som (Richard King)

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