(Knock, Knock, CHL/EUA, 2015)

Suspense
Direção: Eli Roth
Elenco: Keanu Reeves, Lorenza Izzo, Ana de Armas, Aaron Burns, Ignacia Allamand, Dan Baily, Megan Baily
Roteiro: Guillermo Amoedo, Nicolás López, Eli Roth
Duração: 99 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Seguindo a trilha de mulheres no comando, com Bata Antes de Entrar, Eli Roth (O Albergue) retorna ao filme de 1977 Death Game, dirigido por Peter S. Traynor e com Sondra Locke e Colleen Camp como uma dupla de invasoras que transforma a vida de um homem que as ajuda em um verdadeiro inferno.

A história é a seguinte: depois de ser deixado em casa pela esposa e os filhos durante um fim de semana para finalizar um projeto, o arquiteto Evan tem o trabalho interrompido pela campainha. Na porta duas jovens encharcadas pedem para usar o telefone e a máquina de secar roupas enquanto esperam pelo táxi que ele chamou. Ainda que resista por um tempo, ele termina se envolvendo sexualmente com as duas.

A refilmagem traz – tirando a motivação da ausência da esposa – exatamente a mesma trama de Death Game, mas se distancia do original, ao abandonar, de certo modo, o explotation, que caía muito bem à história contada. Aqui, tudo é muito mais limpo e menos experimental. O exagero, ainda presente, vem do excessivo e proposital brega da direção de arte, assinada por Marichi Palacios (Santiago Violenta) e Fernando Alé (Aftershock), e das atuações quase sem limites da dupla Lorenza Izzo (Canibais) e Ana de Armas (Anabel).

É como se Roth quisesse abraçar o estilo, mas com uma preocupação excessiva que atrapalha a tentativa. E fica tudo no meio do caminho, sem ser tão compreendido como ele gostaria. Porém é interessante o modo como o diretor alterna entre o primeiro momento de família margarina, e o resto caótico do filme, fazendo inserções rápidas a temas como diferença de classes e o machismo, mesmo que se complique aqui entre a denúncia e o fetiche.

O grande achado do filme está nas atuações de Izzo e de Armas , como as perturbadas Genesis e Bel, respectivamente. Ainda que sejam personagens menos memoráveis do que Agatha e Donna do original, é tudo tão exagerado e chamativo que não há como não prestar atenções nas aprontações das duas. O diretor percebe isso e se aproveita muito bem da situação, usando exatamente esse excesso para criar a tensão do filme.

Do outro lado, como contraponto, temos um Keanu Reeves (Matrix) apático e confuso sobre o que fazer, não só dentro da trama, mas também quanto a sua própria atuação. Mas, pelo andamento jogado e pouco preocupado do filme, nada que comprometa muito o resultado final.

Entre as atuações, há ainda uma referência divertida ao filme original, quando Colleen Camp surge na porta como a massagista contratada pela esposa.

É perceptível que Roth tem um controle maior da situação do que o apresentado por Traynor em 1977, mas há muita superficialidade, um cansaço e uma certa previsibilidade no desfecho da trama que complicam bastante o desenvolvimento do filme.

No final das contas, Bata Antes de Entrar é uma tentativa, que sangra bem menos do que o usual, mas ainda está cheia dos equívocos de outros torture porns que Eli Roth criou.

Um Grande Momento:
Nada tanto assim.

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