(Bang Bang, BRA, 1971)

Comédia
Direção: Andrea Tonacci
Elenco: Paulo César Peréio, Abrahão Farc, Jura Otero, José Aurélio Vieira, Ezequias Marques, Antonio Naddeo, Thales Penna, Milton Gontijo
Roteiro: Andrea Tonacci
Duração: 85 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

O grande homenageado da 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi o cineasta Andrea Tonacci. Lá no ano de 1971, o realizador ítalo-brasileiro deu um sacode daqueles no cinema brasileiro ao criar Bang Bang. Ainda que o filme não tenha sido visto por muitos, e nem seria, já que o preconceito com o cinema marginal era grande, a nova visão de Tonacci vinha para mostrar que se tinha muita coisa a fazer.

Bang Bang é uma espécie de filme policial que optou por não determinar qual caminho seguiria. Juntando imagens aleatórias que se completam em si mesmas, mas nem sempre se comunicam com as outras, conta a história de um homem que, por causa de uma mala, está sendo perseguido por um trio de bandidos esquisito, formado por um cego que não para de atirar, um narcisista e um glutão, com dois deles alternando o papel de travesti.

O homem perseguido, protagonista do filme vivido por Paulo César Peréio, tem momentos que poderiam definir sua personalidade ou não, seja brigando com o motorista de taxi, conversando com um bêbado em um bar, fazendo amor com uma espécie de musa vestido de macaco ou cantando na frente do espelho.

Em toda a sua loucura e força pulsante, Bang Bang firma-se como uma grande homenagem ao cinema e como um experimento profundo da linguagem cinematográfica. Há um uso muito interessante de referências por Tonacci, como a máscara de Pereio, ou as música de Hatari!, clássico de Howard Hughes.

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As possibilidades cinematográficas também são bem exploradas, seja na metalinguagem que mistura o campo cênico com o campo fora de cena várias vezes e chega até a interferir na narrativa, no uso de movimentos inesperados de câmera e em uma das sequências mais interessantes de montagem determinada de dentro do filme para fora.

Perdido em meio a tantas informações, o espectador acompanha aquela jornada não jornada e a expectativa que nasceu para nunca ser superada, como num jogo de provocação que nunca vai ter fim e que deixa a pergunta: até onde o cinema pode chegar? Até onde você pode acompanhá-lo? Algo bastante comum na filmografia de seu diretor, seja aqui ou em seus documentários.

Muitas outras discussões podem ser levantadas por Bang Bang. A escolha da música cantada mais de uma vez por Pereio, que, por sua letra, pode levar a uma explicação facilitada de todos os entrecortes e desconexões do filme; a transformação em macaco no momento da relação sexual, quando instintos dominam o corpo; a composição daquele trio atrapalhado de bandidos e a relação de dependência que acabou sendo gerada com o filme; a quebra do espaço cênico, como uma composição que usa todos os elementos para demonstrar o que há de fantasioso e/ou real ali, sem limite entre os dois.

Um filme daqueles que chegou para marcar o seu lugar na história e modificar o modo como se faz, se pensa e se vê o cinema. Uma obra-prima que merece ser conhecida por todos.

Um Grande Momento:
Taxista.

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