(Hail, Cesar!, GBR/EUA/JPN, 2016)

Comédia
Direção: Ethan Coen, Joel Coen
Elenco: Josh Brolin, George Clooney, Alden Ehrenreich, Ralph Fiennes, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Frances McDormand, Channing Tatum, Jonah Hill, Veronica Osorio, Heather Goldenhersh, Alison Pill, Max Baker, Clancy Brown
Roteiro: Ethan Coen, Joel Coen
Duração: 106 min.
Nota: 8 ★★★★★★★★☆☆

De volta às comédias ácidas – e sempre deliciosas – os irmãos Joel e Ethan Coen brincam mais uma vez com a metalinguagem, depois de Baton Fink – Delírios de Hollywood, e apresentam a sua versão para a época de ouro de Hollywood e seus grandes estúdios.

Em Ave, César!, um filme cristão está sendo produzido pelos estúdios Capitol (que também apareceu em Barton Fink). O grande astro do filme, Baird Whitlock, é sequestrado e Eddie Mannix precisa fazer algo para manter a agenda das filmagens.

Mannix – baseado em E. J. Mannix, executivo da MGM já retratado no cinema em Hollywoodland: Bastidores da Fama – é o principal executivo do estúdio. Abafar escândalos, minimizar futuros danos das produções, fazer com que os prazos sejam cumpridos, conferir o conteúdo dos filmes e solucionar uma variada gama de problemas estão entre suas atribuições.

É ele quem guia o público pela história imaginada pelos irmãos Coen. Mesclando sua vida pessoal – com direito a vida familiar, fé e possibilidades de um novo emprego – ao trabalho no estúdio e suas muitas produções.

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Divertido, Ave, César! tem muito de sua graça nas várias referências que faz. Desde os primeiros momentos, com o filme fictício que dá nome ao longa e é claramente inspirado em Ben-Hur, passando por Esther Williams e seus balés aquáticos; Gene Kelly e suas sequências de dança; um misto dos cowboys Tim Holt e Howard Keel, e até Carmen Miranda.

Histórias de bastidores também estão presentes. Seja aquele tipo de fofoca que agita a imprensa das celebridades e as fofoqueiras em questão, bem inspiradas em Hedda Hopper e nas irmãs Friedman, ou na versão escrachada dos diretores para os roteiristas que ficaram conhecidos como os dez de Hollywood (recentemente retratados em Trumbo: Lista Negra).

Além da boa história e da crítica sempre presente, o longa segue o conhecido padrão de qualidade dos irmãos Coen, embora Ave,César! deslize no ritmo em uma sequência específica e demore um tempo para se recuperar.

O elenco é uma atração à parte. Josh Brolin (Milk: A Voz da Igualdade) está muito bem como Eddie, o mais presente na tela, assim como George Clooney (Os Descendentes) como o galã sequestrado, que é uma mistura de Kirk Douglas e Charlton Heston. Além das ótimas participações de Scarlett Johansson (Match Point), Jonah Hill (O Lobo de Wall Street), Ralph Fiennes (O Paciente Inglês), Frances McDormand (Fargo), Tilda Swinton (Conduta de Risco) e Alden Ehrenreich (Dezesseis Luas). Entre tantos, porém, quem se destaca mesmo é Channing Tatum (Foxcatcher) com seu cantor dançarino Burt Gurney.

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Além disso há todo um cuidado com o figurino, assinado por Mary Zophres (Prenda-me se For Capaz); o desenho de produção, de Jess Gonchor (Bravura Indômita), e a cenografia, de Nancy Haigh (Dreamgirls: Em Busca de um Sonho). A cinematografia de Roger Deakins (Sicario: Terra de Ninguém) e a trilha sonora de Carter Burwell (Carol) também mantém o mesmo alto nível. Todos antigos colaboradores da dupla de cineastas.

Para arrematar tudo, a montagem assinada pelos próprios diretores faz de Ave, César! um passeio tão delicioso quanto engraçado pelos galpões dos grandes estúdios cinematográficos e pelo dia-a-dia de quem cuidava de tudo aquilo.

Um filme que merece ser visto. Cinéfilos se divertirão ainda mais.

Um Grande Momento:
Nenhuma dama.

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