(Australia, AUS/EUA, 2008)

Drama

Direção: Baz Luhrmann

Elenco: Hugh Jackman, Nicole Kidman, Brandon Walters, David Wenham, Bryan Brown, David Gulpilil, Essie Davis, Jacek Koman, David Ngoombujarra, Sandy Gore

Roteiro: Baz Luhrmann, Stuart Beattie, Ronald Harwood, Richard Flanagan

Duração: 165 min.

Minha nota: 5/10

Quem viu Moulin Rouge já tinha percebido qu Baz Luhrmann tinha traços megalomaníacos. Cheio de dinheiro e com uma equipe que acreditava em seu projeto, ele, inspirado em três dos maiores clássicos do cinema hollywoodiano, usa agora toda sua megalomania para demonstrar o seu patriotismo e fazer uma declaração de amor à sua terra natal, a Austrália.

A história é contada por um mestiço, filho de um branco e uma aborígene, acontece em uma fazenda ao norte do país, a Faraway Downs, e tem como protagonistas um bruto capataz, uma metida aristrocata inglesa e o próprio narrador.

No início da Segunda Guerra Mundial ela viaja para reencontrar o marido na distante Oceania, mas ao chegar o encontra morto e decide, com a ajuda do capataz, reerguer a fazenda.

Confesso que os trailers, a duração e a historinha me mantiveram bastante tempo longe do cinema, mas como não tinha mais opção e este filme também estava na minha lista de obrigatórios, resolvi engolir o preconceito, pegar o convite e gastá-lo logo.

O mais engraçado é que outro dia desses estava com meus amigos e fiz uma pergunta. O Mágico de Oz ou O Vento Levou? Qual dos dois foi mais trabalhoso de fazer? Justamente estes dois filmes estão tão misturados à trama de Austrália que, de algum jeito, ficamos com a impressão de que estamos vendo uma espécie de continuação de algo que já tínhamos visto antes.

A história, por si só já lembra bastante E o Vento Levou… Só falta trocar a guerra mundial pela guerra da secessão e com pouco esforço temos o clássico bem ali na nossa frente. E o casal formado pela a filhinha de papai e o brutamontes em uma fazenda seca e destruída que precisa ser recontruída também faz a gente se lembrar ainda mais da produção de 1939.

O bairrismo, se é que eu posso usar esse termo assim, de E o Vento Levou…, com todo o apego de Scarlett à sua Tara, é amplificado na tela com a recorrência constante ao outro título do mesmo ano, O Mágico de Oz e à Doroty e sua máxima “não há lugar no mundo como a nossa casa”.

O outro filme, que tem menos destaque mas também pode ser reconhecido é Casablanca. Que aparece nas viagens dos personagens, nos créditos finais e também tem aquele quê Rick de “o que sou eu neste país que não é o meu”.

Com todas as referências, Luhrmann contrói bem o ambiente grandioso de sua Austrália, mas não consegue se segurar e ao mesmo tempo em que pesa demais a mão, deixa outras coisas correrem soltas e termina com um filme tão irregular que não consegue inspirar os espectadores.

A fotografia, quando natural é muito boa e tem enquadramentos maravilhosos, mas acaba se perdendo com o uso do cromaqui e de muitos “defeitos” especiais que chamam toda a atenção quando são utilizados.

A direção de arte é primorosa e se tem algo no filme que realmente mereça destaque é o trabalho de Ian Gracie, Karen Murphy (direção de arte), Beverley Dunn (cenografia) e Catherine Martin (figurino).

O elenco funciona, mas não tão bem como deveria. Nicole Kidman está bem, mas não fantástica, Hugh Jackman, melhor do que ela, visualmente maravilhoso, mas canastrão como poucas vezes visto antes.

Aliás, muitos dos problemas do filme vêm justamente da admiração do diretor pela beleza dos protagonistas. Mais de uma vez tive a impressão de que a vontade dela era que os dois estivessem lindos, não importanto muito a qualidade da atuação. Isso fica muito claro com todas as tomadas de Jackman sem camisa (quase uma novela das sete com Marcos Pasquim no elenco) ou com as todas as cenas do baile. Também pode ser facilmente detectado nos momentos filmados de poses para fotos.

A narração em off também é totalmente problemática. Enquanto é usada para narrar acontecimentos que não caberiam na trama ou na passagem de tempo não irrita tanto, mas nas vezes em que fica falando exatamente o que vemos na tela, não dá!

Outra irritação é a repetição constante e exagerada da trilha sonora. Ok! Não há lugar como a nossa casa, mas por favor, chega de “Over the Rainbow” e não adianta mudar para a versão de Israel Kamakawiwo’ole, pois ela também já deu.

E é assim que passamos as quase três horas. Vendo algumas qualidades perdidas em muitos defeitos e acompanhando uma história que é bonitinha, com bons momentos, mas é tão artificial que não empolga.

Um filme totalmente na média, que não consegue ser tão bom e nem tão ruim. Esperar o dvd é uma boa pedida, a menos que a entrada no cinema seja de graça.

Um Grande Momento

Embarcando o gado.



Prêmios e indicações
(as categorias premiadas estão em negrito)

Oscar: Melhor figurino (Catherine Martin)

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