(Paranormal Activity, EUA, 2007)

Há filmes de terror que encontram toda a sua força na sensação incômoda que causam em quem os assiste. Seja durante a exibição, seja no inconsciente daqueles que tentam dormir horas depois, quando as luzes do quarto se apagam.

Atividade Paranormal é simples, não tem nada demais e é justamente por isso que tem assustado tanta gente pelo mundo e se firmou, logos nos primeiros meses, como o filme mais rentável do cinema.

Estranhos acontecimentos atormentam um jovem casal. Enquanto ela quer buscar especialistas paranormais, ele se acha suficientemente capaz para resolver o problema com uma câmera de alta definição, alguns equipamentos e muita teimosia.

As imagens lavadas, mal enquadradas e mal iluminadas são fundamentais para gerar um sufocante clima de produção caseira, assim como a escolha de não mostrar nada que seja visualmente tão impressionante.

É o espectador que cria, em seu interior, aquilo que o apavora, lembrando títulos como A Bruxa de Blair, também com cara de caseiro, e O Bebê de Rosemary, onde cada um cria a sua imagem do bebê demoníaco, nunca mostrado na tela.

O roteiro tem alguns problemas, mas o crescente do medo os compensa bem. Apostando num ritmo arrastado, os sustos vão aumentando a cada noite que acompanhamos o medo do casal e saltos na cadeira do cinema são inevitáveis. O time code – aquele relógio mostrado na tela durante as filmagens noturnas – faz as vezes de suspiro e gatilho de tensão, alternadamente. Quando corre, o público respira aliviado. Quando anda devagar, o incômodo toma conta do ambiente.

Os atores, que emprestam seus nomes aos personagens, estão muito bem e conseguem interagir com a maluca idéia do diretor. E Micah Sloat consegue surpreender ao criar um personagem tão irritante que causa mais aflição no público do que a própria assombração.

Talvez a parte mais estranha do longa seja o final. A impressão que fica é a de que, por algum motivo, o diretor Oren Peli quebra a linha. Pesquisando sobre o filme depois da exibição fica mais fácil entender o porquê: ao assistir (e também se apavorar), o diretor Steven Spielberg resolveu que ajudaria o filme a ser distribuido e sugeriu um final mais enfático. Peli, que não é bobo nem nada, atendeu, mas deixou o filme menos obscuro do que poderia ser, mas sem grandes comprometimentos.

Daqueles filmes que valem pela curiosidade da inovação, pelo talento demonstrado por seu diretor (que agora arrisca um filme sobre a Área 51, já em pós-produção), pelos sustos e pela manipulação de sensações em quem o assiste.

Claro que não é indicado para pessoas que não gostam do gênero, impressionáveis demais ou que não estejam dispostas a novas experiências. E fica o aviso: muita gente durona, resistente ao gênero e que saiu frustrada do cinema sentiu um medinho na hora de fechar os olhos para dormir.

Um Grande Momento

Passos na escada.

Poster do filme
Links

Terror
Direção: Oren Peli
Elenco: Katie Featherston, Micah Sloat, Mark Fredrichs, Amber Armstrong
Roteiro: Oren Peli
Duração: 86 min.
Minha nota: 7/10