(Até Que a Sorte Nos Separe, BRA, 2012)

Comédia
Direção: Roberto Santucci
Elenco: Leandro Hassum, Danielle Winits, Kiko Mascarenhas, Rita Elmor, Ailton Graça, Rodrigo Sant’anna, Maurício Sherman, Julia Dalavia, Henry Fiuka, Victor Mayer, Marcelo Saback, Carlos Bonow
Roteiro: Gustavo Cerbasi (livro), Paulo Cursino, Angélica Lopes
Duração: 104 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

Não existe nada mais benéfico para um filme do que a expectativa negativa. Depois de uma resistência natural a produções televisivas demais e da enxurada de críticas desfavoráveis, era praticamente impossível entrar na sala de cinema com alguma esperança de que Até Que a Sorte Nos Separe fosse render algum fruto.

Um problema sério de sincronismo de áudio na primeira parte, justificadamente dublada, pode complicar ainda mais o quadro, mas o que se vê na tela, neste momento, não é tão ruim assim. Ver aquele casal simples e durango ganhar na mega-sena e se transformar em pessoas completamente diferentes – a versão antiga de Leando Hassum (Muita Calma Nessa Hora) era um personal trainer super sarado, por exemplo – é divertido. Principalmente para quem estava esperando por 104 minutos de chateação.

Claro que o roteiro tem os seus problemas. Livremente inspirado em um best-seller de auto ajuda financeiro, “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos“, de Carlos Cerbasi, ele tenta, sem sucesso, fazer uma relação entre a vida das duas famílias retratadas no filme: aquela que vive como se não houvesse amanhã, gastando tudo que tem e a que deixou de viver para ter uma vida financeira saudável. Se a ideia era mostrar que o equilibrio entre as duas levaria a algum lugar, ela não funciona no filme.

Marcadamente influenciada pela televisão, apostando mais do que deveria em gags e contando com algumas piadas nem sempre inspiradas, o filme poderia estagnar, mas até que consegue fluir, muito por causa das atuações inspiradas que, embora nem sempre muito constantes por conta do desenvolvimento do roteiro, chamam a atenção. Hassum, Danielle Winits (Um Lobisomem na Amazônia), Kiko Mascarenhas (Totalmente Inocentes) e Ailton Graça (Família Vende Tudo) têm os seus momentos.

Outra coisa interessante é a direção de arte de Claudio Amaral Peixoto (O Palhaço) e Ula Schliemann (Chico Xavier), bem competente na hora de demonstrar a diferença entre as duas famílias.

O principal problema do longa está na associação com um dos piores programas de humor de todos os tempos na televisão brasileira, o Zorra Total. Por mais que não mereça, a vontade de homenagear o teleshow é tanta que o diretor do programa, Maurício Sherman (Banho de Língua), tem uma participação na trama como Olavo, o tio centenário de Jane. Podia até ser bom se o motivo da presença não fosse tão obscuro.

Mas, apesar de todos os pesares, entre a cara de especial de televisão e a falta de um acabamento melhor, o filme faz rir e por seguir no humor fácil do começo até o final deve levar multidões ao cinema, fazendo de seu diretor, Roberto Santucci (De Pernas pro Ar), um dos mais populares do país.

Que tanto sucesso e algum dinheiro o façam investir mais em qualidade cinematográfica no futuro. É o que falta na comédia nacional.

Ademais, posso dizer que, pessoalmente, toda a campanha negativa do filme acabou me ajudando na sessão. Se tivesse entrado na sala sem nenhuma aviso ou pé atrás, poderia ter sido completamente diferente.

Um Grande Momento:
O fusca do zelador.

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