(The Sessions, EUA, 2012)

Comédia
Direção: Ben Lewin
Elenco: John Hawkes, Helen Hunt, William H. Macy, Moon Bloodgood, Annika Marks, Adam Arkin
Roteiro: Mark O’Brien (artigo), Ben Lewin
Duração: 95 min.
Nota: 7 ★★★★★★★☆☆☆

Existem duas maneiras de contar uma história de superação. O mais fácil e usual é carregá-la de emoção e comover quem a escuta, arrancando lágrimas, e aquele menos explorado, usando a sensibilidade e o bom humor para provocar um outro tipo de envolvimento emocional que, ainda que profundo, chegue leve, cative e divirta.

Claro que todas as pessoas que passaram por situações de doença e limitações sabem que a vida não é doce e nem alivia nessas situações. Todos os que acompanham o sofrimento dessas pessoas, de longe e de perto, também têm certeza disso. Então, se na vida real, tentar achar o bom humor para viver situações cotidianas ajuda a passar por todas as provações, porque não fazer isso também quando contam esse tipo de história? Não há porque insistir em uma narração que pode ser mais fácil, mais comovente, mas acaba sendo muito menos interessante.

Foi o que Mark O’Brien provou com seu bem-humorado artigo sobre suas primeiras experiências sexuais. O diretor Ben Lewin compreendeu e soube transmitir esse sentimento com As Sessões. A história de limitações e superação transformou-se em um belíssimo e delicado filme, onde tudo tem um significado de vida tão intenso, que é difícil não se entregar.

O’Brien teve poliomielite quando criança e acabou se vendo preso a uma maca e um pulmão artificial por todo o resto de sua vida. Paralisado do pescoço para baixo e dono de uma fé pouco vista nos dias de hoje, ele seguiu sua vida, estudou, cursou a faculdade e tornou-se poeta e jornalista. Mas ainda sentia-se incompleto por nunca ter tido nenhuma experiência sexual. Apoiado pelo padre de sua paróquia, ele decidiu então procurar uma terapeuta sexual para ajudá-lo.

A leveza com que essa sua busca pela realização é contada, com muito humor, sensibilidade e humanidade, vale cada minuto de atenção dada a ela. Por manter-se longe de clichês e apelações esperadas, o roteiro flui de maneira mais equilibrada e consciente do que o de filmes com temáticas aproximadas, e traz os espectadores para dentro da trama.

Muito dessa identificação também acontece graças à interpretação precisa de John Hawkes como O’Brien. Preso a uma posição ingrata e podendo mexer apenas sua cabeça, o ator tem apenas seu olhar e expressões faciais para transmitir todo o medo, a curiosidade e a realização de seu personagem. Taletoso e dedicado, ele não decepciona nem um pouco.

Ao seu lado ele conta com uma inspirada Helen Hunt, que vive o interessante papel da terapeuta sexual, e William H. Macy como o padre confidente e seu melhor amigo. Com atuações precisas, a dupla complementa bem o trabalho do protagonista e é fundamental para determinar a personalidade deste homem tão fascinante.

Perdido em um mercado onde há tantos (e inexplicáveis) tabus e abordagens apelativas, As Sessões chega para mudar tudo e demonstrar que o importante é ter uma boa história para contar e saber como fazê-lo. Provocar um sorriso, às vezes, pode ter uma força emocional muito maior do provocar centenas de lágrimas.

Não deixem de assistir.

Um Grande Momento:
Chegando lá.

poster_as-sessoes
Links

No IMDb Site Oficial