(The Words, EUA, 2012)

Drama
Direção: Brian Klugman, Lee Sternthal
Elenco: Dennis Quaid, John Hannah, Jeremy Irons, Bradley Cooper, Zoe Saldana, J.K. Simmons, Olivia Wilde
Roteiro: Brian Klugman, Lee Sternthal
Duração: 102 min.
Nota: 6 ★★★★★★☆☆☆☆

Em 2004, o escritor norte-americano Paul Auster teve o seu livro “Noite do Oráculo” publicado. Sucesso de crítica e venda, o romance conta a história de Sidney Orr, escritor que, após se recuperar de uma doença, não consegue escrever. A narrativa do romance de Auster segue o modelo de uma história dentro de outra e traz reflexões sobre as dificuldades que os autores encontram durante o processo criativo, como evitar becos sem saídas, não ser repetitivo e nem copiar outras pessoas.

O filme As Palavras traz como questão central o plágio. A história começa com Clay Hammond, um célebre escritor, fazendo a leitura do seu mais novo livro em um evento. A publicação é sobre a vida do jovem escritor Rory Jansen (Bradley Cooper), que se muda para ariscar a sorte em Nova Iorque e, após diversas tentativas malsucedidas, finalmente consegue ter o seu primeiro livro publicado, tornando-se um best-seller. O que quase ninguém sabe é que nenhuma das linhas daquele texto veio do talento de Jansen. Cada frase, letra por letra, foi copiada de um original encontrado dentro de uma pasta comprada por sua esposa Dora (Zoe Saldana), em um antiquário de Paris, durante a viagem de lua de mel.

Em um belo dia de sol, um estranho apenas denominado de O Velho (Jeremy Irons) felicita o escritor e durante a conversa, revela-se como o verdadeiro autor do livro. Jansen, mesmo assustado com a possibilidade de ser desmascarado publicamente, não resiste à curiosidade para saber a história por trás do livro plagiado. O Velho fala sobre sua vida na capital francesa, sobre o romance que viveu e que o inspirou a escrever as memórias que um dia foram perdidas numa vagão de trem. Desta forma, As Palavras nos apresenta a três histórias, uma dentro da outra: a de Clay Hammond que escreve sobre a vida de um jovem escritor; a deste escritor que, por sua vez, conta a história de um homem na Paris do pós-guerra, e por fim, as memórias de vida de O Velho, contadas por ele mesmo. É nesta grande metalinguagem que se desenrola o roteiro do filme.

Vale citar duas referências feitas a Ernest Hemingway. Uma, a mais óbvia, é com o nome do personagem O Velho, numa menção ao livro O Velho e o Mar, que rendeu a Hemingway o prêmio Pulitzer em 1953. A outra está na maneira em como os originais com as lembranças de O Velho são perdidos pela sua mulher. Para quem não sabe, a primeira mulher de Hemingway esqueceu uma maleta com esboços do autor em um trem.

As histórias de As Palavras são desenvolvidas de forma razoável até o final da conversa entre Rory Jansen e O Velho mas, a partir deste momento, a produção começa a perder o fôlego e algumas deficiências ficam mais evidentes. Quase sempre que retorna para Clay Hammond, a narrativa do filme tenta induzir o espectador a pensar na relação entre ele e os personagens do seu livro, só que não de forma natural. Há inclusive uma personagem, Daniela (Olivia Wilde), que existe apenas para ajudar o roteiro a criar esta ponte entre Hammond, Jansen e O Velho. Ela seduz o autor, tentando fazer com que ele revele os segredos por traz da sua obra.

A atuação de Bradley Cooper não ajuda e o roteiro também não explora como poderia os dilemas do personagem principal. A apatia de Jansen incomoda. Nem nos momentos de “escritor angustiado”, Cooper convence. Dennis Quaid também falha em sua interpretação. A importância que Clay Hammond tem na história, como fio condutor do suspense, fica perdida na caricatura de autor famoso e sedutor. Por outro lado, o filme tem a ilustre e salvadora presença de Jeremy Irons bem à vontade em seu papel e, de longe, o dono da melhor interpretação do elenco.

As Palavras não é um filme ruim. As histórias são bem amarradas entre si e o ritmo fluido das cenas ajuda a manter a atenção do espectador. O grande problema é que os diretores e roteiristas Brian Klugman e Lee Sternthal não acrescentam nada de novo e repetem uma fórmula conhecida. Mesmo com a interessante citação à Hemingway e uma rápida crítica ao mercado editorial atual, falta criatividade à obra para fugir do lugar-comum e evitar a obviedade nas cenas.

Assim como acontece com Sidney Orr, o personagem principal da trama de Paul Auster, os roteiristas não escapam da armadilha que criaram. Utilizando-se de um argumento já bem explorado, As Palavras é, no final das contas, um plágio sobre o plágio.

Um Grande Momento:
O Velho e Jansen conversando no parque.

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