(Le confessioni, ITA/FRA, 2016)
Suspense
Direção: Roberto Andò
Elenco: Toni Servillo, Daniel Auteuil, Pierfrancesco Favino, Moritz Bleibtreu, Connie Nielsen, Johan Heldenbergh, Richard Sammel, Stéphane Freiss, Aleksey Guskov, Togo Igawa
Roteiro: Roberto Andò, Angelo Pasquini
Duração: 103 min.
Nota: 5 ★★★★★☆☆☆☆☆

O chamado “mistério de quarto fechado” é uma fórmula narrativa consagrada na literatura e muitas vezes importada pelo cinema. Nesse gênero, há um crime misterioso cometido e o número de suspeitos é bem limitado. É com essa premissa que se desenvolve o roteiro de As Confissões.

No filme, o crime em questão é a morte trágica de Daniel Roché (Daniel Auteuil, de Caché) diretor do FMI. O financista morre durante a reunião do G8 em um hotel isolado (o tal quarto fechado).

Além dos economistas de países ricos reunidos para discutir como solucionar a crise financeira, são convidados para o evento escritores e um monge italiano (Toni Servillo, de A Bela que Dorme). O religioso é um dos principais suspeitos, pois, ao que tudo indica, ele foi a última pessoa a ver Daniel com vida, em uma conversa privada na véspera da descoberta do cadáver.

Há casos, como a obra da escritora britânica Agatha Christie (1890-1976), em que o mistério do quarto fechado é apenas um mecanismo de entretenimento. No entanto, por vezes, a fórmula narrativa envolvente é um vetor para debater temas sérios. Em Os Homem que não Amavam as Mulheres (2005), livro levado ao cinema em 2009 na Suécia e 2011 em Hollywood, a investigação de um desaparecimento discute a opressão das mulheres.

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No caso de As Confissões, enquanto se confabula como morreu Daniel, o enredo tece pertinentes críticas ao sistema financeiro mundial. Ao lado dos interrogatórios, os diálogos mostram os podres dos personagens e do sistema no qual estão imersos. Há egoísmo, jogos de interesses e um vazio existencial tão grande quanto as fortunas que defendem.

Por trazer um discurso tão impactante com uma roupagem atrativa para uma ampla plateia, o longa merece elogios. Por outro lado, as ambições de As Confissões encaminham o filme para um desfecho pouco satisfatório. Em seu terço final, o roteiro perde a mão.

Ao deixar de lado um apuro com a verossimilhança, o texto se empolga mais do que deve e foge do gênero. Em um mistério do quarto fechado, o segredo por trás da história é essencial e não deve se submeter ao subtexto. A mensagem é importante, mas não é aceitável que ela se sobreponha à proposta primordial do enredo: trazer uma solução concreta para conflitos concretos.

Um Grande Momento:
As conversas sobre rotinas vazias dos poderosos.

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