(Before Midnight, EUA, 2013)

Drama
Direção: Richard Linklater
Elenco: Ethan Hawke, Julie Delpy, Seamus Davey-Fitzpatrick, Jennifer Prior, Charlotte Prior, Xenia Kalogeropoulou, Walter Lassally, Ariane Labe, Yiannis Papadopoulos, Athina Rachel Tsangari, Panos Koronis
Roteiro: Richard Linklater, Ethan Hawke, Julie Delpy
Duração: 109 min.
Nota: 9 ★★★★★★★★★☆

Nove anos se passaram desde que Jesse perdeu o seu voo de volta para casa em Antes do Pôr do Sol e finalmente podemos descobrir o que aconteceu a ele e a Celine durante e ste tempo. Antes da Meia-Noite é o filme que nos apresenta a consolidação do amor do casal que se apaixonou aos 23 anos em Viena.

Celine e Jesse já não são mais aqueles jovens sonhadores de Antes do Amanhecer desbravando a cidade de Viena (e tentando desbravar um ao outro) em poucas horas. Aquela magia do primeiro encontro e a idealização do romance deram lugar a um relacionamento de verdade. Se antes, nos dois primeiros filmes, o tempo era uma espécie de inimigo do casal que tinha poucas horas para dar vazão aos seus sentimentos, transformando os encontros em momentos carregados de emoção, e agora age de outra forma. Já são nove anos juntos, filhos, carreiras, uma estrutura familiar para gerenciar e, é claro, a manutenção do romance.

O casal está naquela fase do relacionamento em que não existem mais mistérios a ser descobertos, na fase em que as obrigações da vida prática e a rotina são fatores de desgaste. São nestas observações sobre a própria relação e sobre o passado e futuro desta história de amor que se concentram as longas discussões de Antes da Meia-Noite.

Aliás, nisto o filme continua seguindo o mesmo caminho dos seus antecessores. A obra prima por longas cenas, longos diálogos e debates, todos eles repletos de naturalidade. O que muda neste filme é a presença de um número maior de personagens secundários e o peso deles na trama. Uma das cenas mais bonitas e bem construídas do filme é a do almoço na casa do amigo escritor de Jesse na Grécia (local onde eles foram passar férias). A mesa é composta por pessoas de diferentes idades, contando suas histórias e dando seus depoimentos sobre a vida e o amor.

Um personagem secundário importante é o filho do primeiro casamento de Jesse, Hank, que foi passar férias com o pai. A partida do garoto e o sentimento despertado em Jesse de que poderia ser um pai mais presente foi o gancho encontrado pelo diretor Richard Linklater (que também escreveu o roteiro junto com Delpy e Hawke) para iniciar a série de discussões entre Jesse e Celine sobre o relacionamento deles e suas diferenças. O amor não é mais mostrado na esfera da idealização, ele precisa sobreviver ao cotidiano, às divergências e ao processo natural de desgaste que qualquer tipo de relação enfrenta.

Linklater conduz com maestria este processo de descoberta da imperfeição no outro. Não é fácil para eles, muito menos para os espectadores, perceber e lidar com isto. Diálogos e reflexões característicos da trilogia reforçam, muito bem, diga-se de passagem, expressões, gestos e os próprios físicos dos protagonistas que foram mudando ao longo de 18 anos.

É interessante perceber essa mudança física de Julie Delpy e Ethan Hawke desde Antes do Amanhecer até este filme. Estamos diante de dois adultos que amadureceram e estão buscando a reorganização do seu relacionamento. Assumir as rugas, os quilos a mais só fez com que a história ganhasse em veracidade. Delpy e Hawke estão mais afinados do que nunca e seguros em suas atuações, expondo de forma espontânea a personalidade de seus personagens.

O grande mérito do filme é este, trazer ainda mais para perto de nós a humanidade destes personagens, mostrando que qualquer história de amor por mais “perfeita” e bem-sucedida que seja sempre estará sujeita a altos e baixos, a desilusões e desconstruções. É por isto que Jesse e Celine, mesmo não sendo o casal apaixonado de antes, continuam apaixonantes.

Um Grande Momento:
A vadia burra.

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